terça-feira, 19 de julho de 2016

S. Eliae Prophetae, Primi Ducis Et Patris Nostri -20 de julho

Elias o primeiro monge, instituiu a vida monástica por inspiração de Deus. Do retiro de Elias no deserto.
Do duplo fim da vida eremítica.

Este Elias, Profeta de Deus, foi o primeiro de todos os monges que têm existido e nele teve princípio a santa e gloriosa  instituição monacal.
Com a ânsia que sentia pela divina contemplação e o veemente desejo de adiantar-se na virtude, se foi para longe das cidades e despojando-se de todos os interesses terrenos e mundanos, se propôs começar a viver a Vida Eremítica, Religiosa e Profética, consagrando-se a ela,como nenhum então, o havia feito. 
Com a inspiração e impulso do Espírito Santo, começou a vive-la e a instituiu.
Aparecendo-lhe o senhor, lhe mandou fugisse dos povoados dos homens e se escondesse das gentes, no deserto e vivesse daí em diante a Vida Monástica, do modo que Ele lhe havia inspirado.
Isto se prova claramente com as palavras da Sagrada Escritura. Referindo-se a isto lemos no Livro dos Reis:
"E dirigiu o Senhor a Sua palavra a Elias dizendo: Retira-te daqui e vai para banda do oriente, e esconde-te junto da Torrente de Carit, que está defronte do Jordão. E lá beberás da Torrente; e Eu mandei aos corvos que te sustentem ali mesmo" (1 Reis 17,2-4). O Espírito Santo pôs em Elias um veemente desejo de executar o tão santo e tão conveniente mandato que lhe havia inspirado, e o escolheu e fortaleceu para que pusesse em obras tão desejadas promessas.
Os religiosos Monges Eremitas tanto mais devemos meditar cada uma destas palvras, não só no sentido literal histórico, senão no místico principalmente, e com tanta maior solicitude, quanto que nelas se encerra mais perfeita a Instituição, isto é: o modo de vida para chegar à perfeição profética e ao fim da vida religiosa eremítica.
Esta vida de perfeição religiosa encerra dois fins: um, podemos alcançar com nossos esforços e o exercício das virtudes, ajudados da Divina Graça. Este fim consiste em oferecer a Deus o coração santo e limpo de toda a atual mancha de pecado.
Conseguimos este fim quando somos já perfeitos e estamos em Carit, ou seja: quando nos achamos escondidos naquela caridade da qual disse o Sábio: "A caridade cobre todas as faltas" (Prov X,12).
Mostrando o Senhor a Elias que queria chegasse a este fim da caridade lhe disse: Te esconderás na Torrente de Carit.
O outro fim da vida santa eremítica é dom totalmente gratuíto de Deus e que Ele comunica à alma. Consiste em que, não só depois da morte, senão ainda nesta vida mortal, possa saborear no afeto do amor e no gozo da luz do entendimento, algo sobrenatural do poder da Presença de Deus e do deleite da Eterna Glória. Isto quer significar beber da torrente da delícia Divina. Deus prometeu este fim a Elias ao dizer-lhe: E aí beberás da Torrente.
Para conseguir estes dois fins há de abraçar o monge a vida profética e eremítica como disse o Profeta: Nesta terra deserta, e sem água, me ponho em Tua presença, como se estivesse no Santuário para contemplar teu poder e tua glória (Sl 62, 2-3).
( De: Institutione Primorum Monacorum)





O Santo Profeta Elias, é considerado o iniciador desse nosso gênero de vida, por isso nós o chamamos de Pai. Este homem de Deus foi suscitado para ser como um fogo, através de seu ardor profético. Contemplativo solitário estava sempre na presença de Deus, conforme dizia: vive o Senhor em cuja presença estou! Deixou o  seu zelo como herança aos profetas que o sucederam, sendo o primeiro, Santo Eliseu. Foi poderoso na oração e amigo de Deus. Arrebatado num turbilhão de fogo, ele nos ensina a buscar as coisas celestes. Como filhas dos profetas, esperamos receber a dupla porção do seu espírito e arder de zelo e de amor pelo Senhor Deus dos exércitos.

Elias é o Profeta solitário que cultiva a sede por seu Único Deus e vive em Sua Presença. É o contemplativo rapitado pela paixão ardente e absoluta por Deus. Cuja Palavra ardia como uma tocha.


O Carmelita aprende de Elias a ser uma alma de deserto, com um coração indiviso e que sempre está ante a Presença de Deus, totalmente dedicado ao serviço de Deus, aquele se comprometeu, se decidiu por Deus e por seus interesses -a salvação das almas- e vive somente desse grande amor.

sábado, 16 de julho de 2016

SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DO CARMO 16 de Julho




Os primeiros eremitas do Monte Carmelo, local da Terra Santa onde nasceu a Ordem do Carmo, construíram no meio das suas celas uma capela, centro das suas vidas, onde diariamente se reuniam para celebrar em conjunto a Eucaristia. Esta capela dedicaram-na à Bem-Aventurada Virgem Maria. Com este gesto, o primeiro grupo de Carmelitas escolheu-a como Padroeira, comprometendo-se deste modo a estar ao seu serviço e a esperar dela confiadamente a sua proteção. Tinham orgulho em ser chamados de Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo e defenderam este título com toda a energia, quando viram ameaçado o direito de ter este nome.

Maria acolheu a vontade de Deus quando lhe foi pedido para ser a Mãe do Salvador. Maria meditou todos os acontecimentos da sua vida e foi capaz de ver neles a actuação da mão de Deus. Maria não se ensoberbeceu pela sua especialíssima vocação, mas louvou o Senhor por ter olhado para a sua humildade e por nela ter feito grandes coisas. Esteve com Jesus no começo do seu ministério público quando, nas bodas de Caná, informou-o da precária situação: Não têm vinho. Maria assistiu-o na sua morte na cruz e aí tornou-se na Mãe de todos os crentes. No início dos Atos dos Apóstolos encontramos Maria no cenáculo, junto dos outros discípulos, em oração, e esperando a vinda do Espírito Santo. Para todo o Carmelita, Maria está sempre na sua própria vida, guiando-o e protegendo-o no seu obséquio a Jesus Cristo.

Durante muitos séculos o Escapulário do Carmo sintetizou no seu significado a relação dos Carmelitas com a Virgem Maria. O Escapulário constitui uma parte do hábito tradicional vestido pelos religiosos. Trazer o Escapulário é um sinal de consagração a Maria e de aceitação da sua proteção. Na Virgem Maria, os Carmelitas encontram a imagem perfeita de tudo o que eles esperam: entrar numa relação íntima com Cristo, estar totalmente abertos à vontade de Deus e deixar que as suas vidas sejam transformadas pela Palavra de Deus. Os Carmelitas consideraram sempre Maria como a Padroeira da Ordem, e proclamaram-na como Mãe e Formosura do Carmelo. Os Carmelitas vivem em intimidade espiritual com ela, para que possam aprender dela a viver como filhos de Deus. A celebração de Nossa Senhora do Carmo tem lugar a 16 de Julho e é a principal solenidade da Ordem Carmelita.

                                                                                        
                                                                                                             

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DO CARMO


Ó Senhora do Carmo, revestido(a) de vosso Escapulário, eu vos peço que ele seja para mim sinal da vossa maternal proteção, em todas as necessidades, nos perigos e nas aflições da vida. Acompanhai-me com a vossa intercessão, para que eu possa crescer na Fé, Esperança e Caridade, seguindo Jesus e praticando a Sua Palavra. Ajudai-me, ó Mãe querida, para que, levando com devoção o vosso santo Escapulário, mereça a felicidade de morrer piedosamente com ele, na graça de Deus, e assim, alcançar a vida eterna. Amém

Colaboração Ir. Nilza do Carmo