domingo, 29 de novembro de 2015

ADVENTO

“Rorate Caeli”, o mais sublime canto gregoriano de preparação para o Natal

Conheça essa composição  da expectativa pelo Salvador, inspirado por profetas e patriarcas




           

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Estamos no Advento, o tempo litúrgico em que nos preparamos para a vinda do Salvador. A liturgia da Igreja oferece uma vasta gama de recursos para nos ajudar nessa preparação, incluindo, entre eles, o precioso tesouro do canto gregoriano.

O "Rorate Caeli" é considerado uma das mais belas e sublimes composições não só do Advento, mas de todo o repertório litúrgico da história do cristianismo. Seu refrão vem do livro do profeta Isaías (45, 8), em que se suplica: "Que os céus, das alturas, derramem o seu orvalho; que as nuvens façam chover a vitória; abra-se a terra e brote a felicidade e, ao mesmo tempo, ela faça germinar a justiça! Sou eu, o Senhor, a causa de tudo isso".

Inspirado pelos clamores do Antigo Testamento para que Deus nos resgatasse e nos mandasse o Messias, o "Rorate Caeli" representa magistralmente o espírito de súplica e expectativa do Advento.
 
Confiram logo abaixo o texto original em latim, acompanhado da tradução em português.
RORATE CAELI

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum
(
Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)
 
Ne irascáris Dómine, ne ultra memíneris iniquitátis
Ecce cívitas Sancti facta est desérta
Sion desérta facta est, Jerúsalem desoláta est.
Domus sanctificatiónis tuae et gloriae tuae
Ubi laudavérunt Te patres nostri.
(Não vos ireis, Senhor, nem vos lembreis da iniquidade.
Eis que a cidade do Santuário ficou deserta:
Sião tornou-se deserta; Jerusalém está desolada.
A casa da vossa santificação e da vossa glória,
Onde os nossos pais vos louvaram)


Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

Peccávimus et facti sumus tamquam immúndus nos,
Et cecídimus quasi fólium univérsi
Et iniquitátes nostrae quasi ventus abstulérunt nos
Abscondísti fáciem tuam a nobis
Et allisísti nos in mánu iniquitátis nostrae.
(Pecamos e nos tornamos como os imundos,
E caímos, todos, como folhas.
E as nossas iniquidades, como um vento, nos dispersaram.
Escondestes de nós o vosso rosto
E nos esmagastes pela mão das nossas iniquidades)


Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

Víde, Dómine, afflictiónem pópuli tui
Et mitte quem missúrus es
Emítte Agnum dominatórem terrae
De pétra desérti ad montem fíliae Sion
Ut áuferat ipse jugum captivitátis nostrae.
(Olhai, ó Senhor, para a aflição do vosso povo,
E enviai Aquele que estais para enviar!
Enviai o Cordeiro dominador da terra
Do Deserto de Petra ao monte dos filhos de Sião
Para que Ele retire o jugo do nosso cativeiro)


Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

Consolámini, consolámini, pópule meus
Cito véniet salus tua
Quare moeróre consúmeris, quia innovávit te dolor?
Salvábo te, noli timére
Ego énim sum Dóminus Deus túus Sánctus Israël, Redémptor túus.
(Consola-te, consola-te, povo meu,
Em breve há de vir a tua salvação!
Por que te consomes na tristeza, se a dor te renovou?
Eu te salvarei, não tenhas medo!
Porque Eu sou o Senhor, teu Deus,
o Santo de Israel, o teu Redentor)


Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.

( Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

 Fonte: Aleteia

Colaboração Irmã Nilza do Carmo

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Praesentatio B.M.V. 21 de novembro

Salve Maria Puríssima!

 


                                             
 
No dia 21 de Novembro, a Liturgia celebra a Festa da Apresentação de Nossa Senhora no Templo. Esta Festa remonta aos primeiros séculos da História da Igreja e é celebrada, pelo menos, desde o século VIII. No ano 1585, o Papa Sixto V, tornou a sua celebração universal em toda a Igreja.
Na idade de 3 anos foi a menina Maria apresentada no templo, em Jerusalém, em cumprimento à promessa feita por seus pais, São Joaquim e Santa Ana. Comenta Santo Afonso de Ligório que “uma oferta maior e mais perfeita do que a de Maria, ainda menina de 3 anos, nunca foi e nunca será feita a Deus por uma mera criatura”. (2) Com o pleno uso da razão desde a mais tenra idade, ouviu Maria a voz do Senhor, que já a chamava para dedicar-se inteiramente ao Seu serviço, como que antecipando a frase – Fiat – que diria anos mais tarde: ‘Eis aqui a serva do Senhor” (Lc 1,38).
O que esta Frase da Semana pode servir para nosso exemplo e para nossa inspiração? Dois aspectos principais, conforme ensina Santo Afonso (3):
1) Maria ofereceu-se a Deus sem demora! Quantas vezes, também nós, em nossa vida de católicos somos convidados a servir a Deus de uma forma mais efetiva, mas, buscando nossos próprios interesses, adiamos a nossa entrega indefinidamente.


A Apresentação da Virgem Maria por Titian (1534-38, Galeria dell’Accademia, Veneza)

2) Maria ofereceu-se inteiramente a Deus, seja por seu voto de virgindade, seja pela prática de todas as virtudes, seja pelo oferecimento de todos os seus trabalhos no Templo. Em nossa vida, também nós somos convidados imitar as virtudes de Maria Santíssima e entregarmos nosso coração a Deus, sem reservas!
Salve Maria!


(1) Santo Afonso Maria de Ligório. Glórias de Maria. Aparecida, SP: Santuário. 3ª. ed. 1989, página

Colaboração Ir. Nilza do Carmo



quarta-feira, 11 de novembro de 2015

14 de Novembro - Todos os Santos Carmelitas



Ícone moderno mostrando os Santos e Santas do Carmelo aos pés de Maria,
nossa Mãe, Rainha e Senhora,  aos pés do Monte e junto à Fonte de Elias.
No dia 14 de Novembro o Calendário Litúrgico da Ordem Carmelita (Antiga Observância, Carmelitas Descalços e Institutos e Congregações de Espiritualidade Carmelitana) comemorou a Festa de Todos os Santos de nossa Ordem. "É uma festa muito bonita, pois, à semelhança da Solenidade de Todos os Santos (dia 01 de novembro), fazemos uma justa homenagem a todos aqueles santos, santas, beatos e beatas carmelitas (cuja santidade foi reconhecida oficialmente pela Igreja), bem como todos os habitantes do "Carmelo Celeste", que já gozam da visão beatífica da Santíssima Trindade, porém, que não foram ou não serão beatificados e/ou canonizados. 

A Ordem Carmelita "premiou" a Igreja com insignes santos: São Brocardo, São Bertoldo, Santo Alberto de Jerusalém, Santo Alberto de Trápani, Santo Ângelo da Sicília, São Pedro Tomás, Santo André Corsini, Santa Maria Madalena de Pazzi, Santa Teresa de Ávila (ou de Jesus), São João da Cruz, Santa Teresa Margarida Redi, São Rafael Kalinowski, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), Santa Teresa de Los Andes, Santa Maria Maravilhas de Jesus, Beato Batista Mantovani, Beato Titus Brandsma, Beato Ciríaco Elias Chavara, Beato Francisco Palau y Quer, Beata Elisabete de Trindade, Beata Maria Sacrário, Beata Maria de Jesus, Beata Maria de Jesus Crucificado, Beata Maria dos Anjos, Beata Josefa Naval (da Ordem Secular) e muitos outros, que enriqueceram a Igreja e o mundo com o exemplo de suas vidas totalmente dedicadas ao Reino, com o testemunho de sua fidelidade a Deus e à Igreja, bem como com a sabedoria de seus escritos. 


Foram muitos os mártires que derramaram seu sangue por causa de seu amor e fidelidade a Cristo, especialmente no século XX, na Guerra Civil Espanhola e em países dominados pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. 

Três santos foram proclamados pela Igreja com o título de Doutor ou Doutora da Igreja, coisa raríssima em outras Ordens religiosas (somente a Ordem Franciscana também tem três Doutores da Igreja): Santa Teresa de Jesus (ou de Ávila), grande mestra da oração; São João da Cruz, o "doutor místico" e Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, a "doutora da pequena via". Seus escritos: autobiografias, livros sobre espiritualidade, cartas e poemas, são obras maravilhosas e celestes, que ainda hoje encantam e encantarão o mundo até o final dos tempos! 

Procuremos sempre conhecer esses nossos irmãos e irmãs! Muitos outros (dezenas) aguardam o reconhecimento oficial da Igreja a respeito de suas virtudes heroicas e milagres alcançados por sua intercessão. 

Imitemos-lhes a fé, a constância, a fidelidade, a determinação e o amor a Deus e ao próximo que os levou ao "Cume do Monte Carmelo" que é o próprio Cristo Jesus. Amém! 
Todos os Santos Carmelitas, rogai por nós! "

Reflexão

"Deus vestiu o Monte do Carmo com arroios de água, fontes cris¬talinas, árvores frondosas, plan¬tas e flores maravilhosas, ao mes¬mo tempo que adornou a Montanha espiritual com Profe¬tas, Apóstolos, Mártires, Confes¬sores, Eremitas e Doutores; quais açucenas imaculadas enchem os vales do Carmelo com o suave perfume da sua santidade." 

Os Santos do Carmo são uma grande multidão de irmãos que consagraram a sua vida a Deus, seguindo o caminho de Cristo, nos braços da Virgem Maria em oração constante e amor aos ir¬mãos, a ponto de muitos terem bordado com o vermelho do seu sangue a branca capa do hábito da Mãe do Carmo, entregando a sua vida como mártires do Evangelho. 

Eremitas no Monte Carmelo, mendicantes na Idade Média, missionários e evangelizadores nas Descobertas, mestres e pregadores nas universidades, religiosas que enriqueceram o povo com a misteriosa fecundidade da sua vida contemplativa, apostólica e orante, leigos que nas suas vidas souberam incarnar com sabedoria a suavidade do espírito do Carmelo. Esta é a grande família do Carmo que, enquanto peregrina, se dedicou à oração constante e à caridade permanente, e, tendo terminado a sua prova, nos deixou o exemplo. Agora, os nossos irmãos, os santos do Carmo, chamam-nos enquanto cantam sem cessar ao Cordeiro Imaculado, vestidos de capas brancas. 

Contemplamos hoje esta multidão imensa de quantos Deus conduziu à Montanha Santa do Carmo para lhes fazer saborear, já nesta pátria passageira, as delícias da oração, o gozo da vida do Céu e os inumeráveis frutos da árvore da Vida. 

Que o exemplo de todos estes santos seja para nós um estímulo a vivermos inebriados pelo espírito do Carmo no seguimento de Cristo e na imitação da nossa Rainha, Mãe e Irmã, a Flor do Carmelo. Padroeira, Esperança e Estrela dos Carmelitas que já reinam no Céu e dos que ainda peregrinam
os na terra.

Oração

Nós vos pedimos, Senhor, 
que nos assistam com a sua protecção 
a Virgem Maria, Mãe e Rainha do Carmelo 
e todos os Santos da família do Carmo, 
para que, seguindo fielmente os seus exemplos 
sirvam a vossa Igreja 
com a oração e com obras dignas de Vós.

Colaboração Irmã Nilza do Carmo