sexta-feira, 23 de outubro de 2015

S. Raphaelis Archangeli - 24 de outubro

São Rafael Arcanjo serviu como anjo da guarda de Tobias




 
 São João Bosco escreveu a história sagrada pondo em linguagem acessível a seus jovens alunos as comoventes passagens bíblicas. Destas, uma das mais belas é a narração da viagem de Tobias, que teve por anjo da guarda o próprio São Rafael, "um dos sete espíritos que estamos continuamente na presença de Deus".

Enviado pelo pai - também chamado Tobias - a uma terra desconhecida, o jovem viajante pediu a um desconhecido que o acompanhasse, o qual era um anjo que assumira aspecto humano, e que dissera conhecer o caminho. Tobias, além de cumprir a missão retornou com um remédio para curar a cegueira que seu genitor adquirira em um acidente. Recobrada a visão, pôde o velho Tobias ver a esposa do filho - que se casara na viagem - e as riquezas trazidas no retorno. E, para surpresa de todos, no momento dos agradecimentos o guia da viagem revelou-se como sendo o arcanjo Rafael.

São Rafael é atualmente considerado como o padroeiro dos viajantes.

 A HISTÓRIA DE TOBIAS

O reino de Israel durou duzentos e cinquenta e quatro anos, e teve dezenove reis, todos ímpios. Frequentemente mandou-Ihes Deus profetas para admoestá-los e levá-los a eles e a seus súditos à prática do verdadeiro culto, mas inutilmente. As ameaças dos profetas foram desprezadas e os mesmos profetas foram encarcerados, exilados ou mortos. Tan¬tas iniquidades esgotaram a misericórdia do Senhor, que entregou o povo e o rei de Israel nas mãos de seus inimigos. O último rei de Israel foi Oséias, sob cujo governo teve fim aquele reino.
No princípio ele tentou libertar-se do jugo dos Assírios de quem se tinha tornado tributário; mas, indignado, Salmanassar, rei da Assíria, marchou com poderoso exército para expugnar Samaria. Depois de três anos de cerco, apoderou-se da cidade, prendeu Oséias e meteu-o a ferros. Depois de submeter todo o reino ao seu poder, levou o rei e o povo para a Assíria e para a Média, donde não mais voltaram.

Os Israelitas na Assiria

Os Israelitas padeceram na Assíria duríssima escravidão; muitas vezes faltou-lhes um pedaço de pão para matarem a fome e um trapo para se vestirem. Muitos foram assassinados e seus cadáveres atirados fora dos muros da cidade para servirem de pasto às aves de rapina e a outros animais ferozes, sem que se lhes pudesse dar sepultura, sendo isto proibido por uma lei desumana. Assim aquele povo, que fora surdo aos repetidos avisos dos profetas do Senhor, pagava o duro preço de suas infidelidades.

Virtude de Tobias

Deus, que é sempre bom, mandou um consolador aos pobres Israelitas. Foi o piedoso Tobias, homem educado no santo temor de Deus, grandemente estimado pela sua piedade e paciência.
Levado ao cativeiro com os outros, à vista de seus irmãos oprimidos, dedicou-se ao santo mister de consolar os aflitos, de alimentar e vestir os necessitados e sepultar os mortos. Quando sabia que um Israelita morto era atirado em qualquer canto, deixava o que estava fazendo e 'aproveitava da escuridão da noite para enterrá-lo.
O rei cruel, tendo notícia de semelhantes fatos e de como Tobias dispensava seus bons ofícios aos seus irmãos de exílio, mandou que fosse espoliado de todos os bens e condenado à morte. Apesar disso, o Senhor conservou-lhe a vida: fugindo à cólera do rei, ficou escondido por algumas pessoas piedosas, em companhia de sua mulher e seu filho. Pouco depois, tendo sido assassinado esse rei cruel, pôde Tobias continuar no desempenho de seu piedoso mister. Um dia, tendo-se sentado à mesa para jantar, veio seu filho adverti-lo de que haviam deixado na praça um cadáver. Levantou-se imediatamente da mesa, foi buscar o cadáver e o ocultou em casa, sepultando-o depois durante a noite, mostrando assim quanto era constante e qual o seu ardor no exercício da caridade.

Paciência de Tobias

A virtude de Tobias foi experimentada por Deus com grandes tribulações. Uma ocasião, após ter passado a noite inteira a dar sepultura aos mortos, voltava para casa ao clarear do dia, e prostrado de cansaço deitou-se perto de um muro sobre o qual havia um ninho de andorinhas, e ali adormeceu. Durante o sono caiu-lhe nos olhos um pouco de cisco quente do ninho daqueles passarinhos e ficou cego. Nesse mísero estado, conservou-se sempre fiel ao Senhor. Nada temia tanto como o pecado e até a sombra dele. Sua mulher que o sustentava com o seu trabalho, levou para casa um dia um cabrito que lhe haviam dado como paga. O cego, ouvindo-o berrar, disse: Vê lá que esse cabrito não tenha sido roubado! Se o foi, mulher, volta imediatamente a restituí-lo ao seu dono. Não devemos lançar mão da mínima coisa pertencente aos outros.

Recomendações de Tobias

Oprimido por tantas desventuras, Tobias pediu ao Senhor que o chamasse à outra vida. Supondo que Deus ouvira o seu pedido, deu ao filho estas lembranças: Meu filho: recomendo-te que respeites sempre tua mãe e nunca te esqueças do que ela sofreu por ti. Não se apague ele tua mente a imagem de teu Deus e guarda-te do pecado e de fazer algo contra os mandamentos divinos. Tem compaixão dos pobres e Deus terá compaixão de ti. Faze esmola; se tiveres pouco, desse mesmo pouco dá o que puderes, mas dá de boa vontade. A esmola apaga os pecados, faz achar misericórdia diante de Deus e conduz à vida eterna. Nas dúvidas, aconselha-te com homens prudentes, mas não te associes nunca aos perversos. Foge da soberba e preserva-te da impureza.
O filho, todo comovido, respondeu-lhe: Meu pai, farei tudo quanto me disseste. E manteve fielmente a sua promessa.

Tobias manda seu filho a Rages

O bom Tobias não morreu então, como supunha. O Senhor conservou-lhe a vida para fazê-lo gozar inefáveis, consolações, por meio de seu filho chamado também Tobias. Um dia disse o velho a seu filho: Tobias, emprestei dez talentos de prata a Gabel, que reside em Rages, cidade da Média. Eis o documento relativo. Apresentando-lho, ele te restituirá logo o dinheiro. Mas como tu não sabes o caminho, vai procurar algum amigo fiel que te possa guiar. O filho obediente saiu de casa e encontrou um jovem prestes a empreender uma viagem. Ignorando que o desconhecido fosse um anjo de Deus, disse-lhe delicadamente: Bom jovem, quem és tu? Conheces a estrada que conduz à Média? E o jovem respondeu: Eu sou Israelita e conheço bem o caminho de que falas, pois morei muito tempo em Rages, na casa de Gabel. Tobias, com o consentimento do pai, partiu com o anjo Rafael, que disfarçado sob aparência humana e sem dar-se a conhecer, prontificou-se a acompanhá-lo.
Chegando à margem do Tigre, um peixe monstruoso atacou o jovem Tobias, e já parecia que ia devorá-lo, quando o Arcanjo lhe disse que não temesse e que segurasse o peixe, o matasse e lhe tirasse o fígado, com o qual faria um remédio para curar o pai.
Uma viagem iniciada sob tão bons auspícios não podia terminar senão próspera e feliz. E de fato, o anjo não só fez com que Tobias recebesse o dinheiro que fora buscar, como também procurou, e conseguiu que o mesmo desposasse uma rica e virtuosíssima donzela de nome Sara, filha única de Raguel.

Volta do filho. Cura e santa morte do pai

Entretanto, Tobias e sua mulher esperavam ansiosos pela demora. Muitas vezes a mãe, do alto de um monte, procurava impaciente ver se o descobriria ao longe. Por muitos dias foi vã a sua expectativa. Finalmente avistou-o um dia e satisfeitíssima, correu a dar a  boa nova ao marido. O velho Tobias, apesar de cego, quis ir ao encontro do amado filho. Os pais o abraçaram com ternura. Isto era apenas o início das grandes consolações que ao velho Tobias queria a bondade divina conceder.
O jovem Tobias unge os olhos do pai com o fel do peixe, e o velho imediatamente recupera a vista, e pode ver, não somente o filho amado, mas ainda observa a esposa, admira suas singulares qualidades e as grandes riquezas que trouxera consigo. Espalhada a noticia da volta do filho de Tobias e de como o bom pai tinha sido curado, seus parentes se reuniram para dar graças ao Senhor e festejar o acontecimento. Em presença de todas essas pessoas, enumerou o filho os solenes benefícios que havia recebido do companheiro de viagem, que ainda julgava ser um homem. Querendo de alguma maneira recompensa-lo, pediram-lhe quisesse aceitar metade das riquezas que havia trazido. O anjo então deu-se a conhecer e disse ao velho: Agora é tempo de eu manifestar a verdade. Quando sepultavas os mortos e te ocupavas em obras pias ou em fervorosas orações, eu oferecia tudo ao Senhor. E porque ele te amava, quis que a cegueira aumentasse teu merecimento; depois mandou-me Deus a mim para curar-te e trazer-te todos estes bens. Pois que eu sou o anjo Rafael, um dos sete espíritos que estamos continuamente na presença de Deus. Louvai, pois, ao Senhor e contai a todos as suas maravilhas. Dito isto, desapareceu. Eles ficaram por três horas prostrados no chão bendizendo o nome de Deus.
Tobias viveu ainda quarenta e dois anos; sentindo, depois, que se avizinhava a hora de sua morte, chamou o filho e recomendou-lhe que se mantivesse fiel e constante no santo serviço de Deus. Depois serenamente expirou, na paz do Senhor, com cento e dois anos de idade.
O filho atingiu a idade de noventa e nove anos. Ele, seus filhos e netos imitaram as virtudes paternas; por isso foram sempre benquistos dos homens e abençoados por Deus.

FONTE: texto extraído de História Sagrada, de São João Bosco (Livraria Salesiana Editora, São Paulo, 1944, 8 ed), com adequação redacional-ortográfica.

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

15 de Outubro Santa Tereza de Jesus

Santa Teresa de Jesus é uma verdadeira mestra de vida cristã para os fiéis de todos
os  tempos. Ela nos ensina a ser incansáveis testemunhas de Deus, da sua presença
e da sua ação. (Bento XVI)







Tudo que se tem a dizer sobre Teresa Sanchez Cepeda D'Ávila y Ahumada é extraordinário. Ela viveu e ensinou a oração pessoal como sendo a busca de uma intimidade maior com Deus. Escreveu como um poeta, cantando as glórias do Senhor do Céu e da Terra, depois de ter convivido misticamente com Ele. Reformou e aperfeiçoou o estilo de vida religiosa. Foi doutora em matéria de religião e de religiosidade. Ultrapassando os limites de si mesma, ela foi mais além: foi Santa. E uma grande Santa. Por isso mesmo é que ela é chamada de Teresa, a Grande.

O legado de Teresa

Teresa D'Ávila, Teresa de Jesus ou Teresa, a Grande, nasceu na região de Castela (Espanha), em Ávila, uma cidade medieval cercada por muralhas de pedras grandes e claras que se tornam douradas quando o sol está se pondo. Ela era a terceira filha do casal Alonso Sanchez Cepeda com Beatriz D'Ávila y Ahumada e tinha vários irmãos, porque Dom Alonso teve três filhos em um primeiro casamento e outros nove de seu casamento com Dona Beatriz. Era da pequena nobreza. Nasceu em 28 de março de 1515.
A reforma do Carmelo e sua experiência metódica da oração pessoal na busca de uma intimidade com Deus formam seu maior legado deixado para os fiéis da Santa Igreja.

Com seu irmão, uma fuga frustrada

Desde menina Teresa gostava de ler história da vida de santos. Acompanhava-lhe neste gosto seu irmão Rodrigo que tinha idade próxima da dela. Os dois admiravam em conjunto a coragem e heroísmo dos santos na luta pela conquista da gloria eterna. E porque os admirava, os dois tinham seus pensamentos sempre colocados na eternidade onde os bem-aventurados já viviam.
Ao conhecer a vida dos mártires, julgaram que eles tinham conseguido ir para o céu com muita facilidade. Estavam tão certos disso que decidiram partir para o país dos mouros: ali, com certeza, seriam martirizados, morreriam defendendo a fé e estariam logo no céu, mais facilmente que de qualquer outro modo...
Então os dois decidiram fugir de casa. Pediram a Deus que lhes concedesse a graça de dar a vida por Cristo e partiram a procura de quem os martirizasse.A aventura das duas crianças durou pouco. Estavam ainda próximo de Ávila, em Adaja, quando foram vistos por um de seus tios que as conduziu novamente para junto da aflita mãe.
A culpa de tudo recaiu sobre Teresa. Quando foram repreendidos pela mãe, Rodrigo acusou a irmã de ter sido a idealizadora do plano frustrado. Mas os dois não se separaram e nem esqueceram seu ideal: eles resolveram viver como eremitas. Sem nunca conseguir, pensavam construir suas celas nos jardins da casa e lá viver na solidão.

Outra fuga, após a morte da mãe

Dona Beatriz morreu quando Teresa tinha quatorze anos: "quando me dei conta da perda que sofrera, comecei a entristecer-me. Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha", disse ela. Aos quinze anos Dom Alonso levou Tereza para estudar no Convento das Agostinianas de Ávila.
Um ano depois, seu pai foi buscá-la. Uma doença a impedia de continuar vivendo ali. Por essa ocasião foi que a jovem viu nascer em seu coração uma forte atração para a vida religiosa passando a pensar seriamente nisso. Mas ela tinha dúvidas quanto a decisão a tomar. A vida religiosa a atraia e assustava, ao mesmo tempo.
Foi a leitura das "Cartas", de São Jerônimo que lhe ajudou na decisão. Ela comunicou seu desejo ao pai e ele recomendou que a filha aguardasse a morte dele para depois procurar um convento. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Numa madrugada, tendo já 20 anos, a futura santa fugiu para o Convento de La Encarnación, em Ávila, com a intenção de não voltar mais para casa.

Início da Vida Religiosa

E Teresa ficou no Convento da Encarnação. Dom Alonso viu que sua vocação era séria e não mais colocou objeção à entrada dela na vida religiosa. Um ano depois de sua entrada no Carmelo, ela emitiu seus votos, tornando-se Carmelita.
Uma grave enfermidade fez com que seu pai a levasse de volta para casa afim de que pudesse ser tratada de uma enfermidade que novamente lhe havia atacado. Mas os médicos não conseguiram debelar a doença que logo se agravou. Teresa suportou aquele sofrimento, graças a um livrinho que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro: "O terceiro alfabeto espiritual", de autoria de um Padre chamado Francisco de Osuna. Ela seguiu as instruções do pequeno livro que a introduziu na pratica da oração mental.
Depois de passar três anos em casa, ela recuperou a saúde e retornou ao Carmelo. Levou consigo as ideias contidas no livreto do Padre Francisco.

Como eram os mosteiros...

Costumes inconvenientes e nada edificantes espalharam-se pelos conventos espanhóis da época de Teresa. Um desses costumes era de que as religiosas podiam receber todos os visitantes que desejassem, a qualquer hora.
Teresa também foi vítima desse costume: passava grande parte de seu tempo conversando no locutório do mosteiro. Isto a levou ao descuido com as orações, sobretudo descuidava-se da oração mental. Muitas vezes ela encontrava desculpas para esse relaxamento em suas enfermidades. Suas doenças justificariam suas falhas nesse ponto ou... a impediam de meditar. E isso ela praticava sem susto nenhum.
Foi o confessor de Teresa que lhe mostrou o perigo em que se encontrava sua alma e aconselhou-a a voltar à prática intensiva das orações. Embora ainda não tivesse decidido a entregar-se totalmente a Deus, levando uma vida de contemplativa, e não tivesse renunciado totalmente as horas que passava no locutório, conversando e trocando presentes com seus visitantes, ela acatou o conselho de seu confessor e deu mais atenção à vida de oração, voltando a meditar.

"Foram tuas conversas no parlatório..." - nova conversão
Com o novo modo de vida de oração, ela acabou, aos poucos compreendendo seus defeitos e como era "indigna". Por isso invocava com frequência grandes santos penitentes, sobretudo Santo Agostinho e Santa Maria Madalena. A eles estão associados dois fatos que foram decisivos na vida da santa.
O primeiro deles foi a leitura das "Confissões" do Bispo de Hipona. O segundo foi um chamado à penitência que ela sentiu quando rezava diante de um quadro representando a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro ... e desde então progredi muito na vida espiritual", afirmou Teresa.
Ela sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensanguentado, em agonia. Em certa ocasião, estando aos pés de um crucifixo que trazia marcas das chagas de Cristo e muito sangue, ela perguntou: "Senhor, quem vos colocou aí?" E pareceu-lhe ouvir uma voz que vinha do crucificado: "Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa".
Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e com as amizades que não a levavam à santidade. Era uma mudança de vida radical, "orientada" pelos céus, algo muito próprio para quem iria tornar-se uma das maiores místicas da Igreja.

Os mosteiros precisavam ser reformados?

Como a maioria das religiosas, já desde os princípios do século XVI, as carmelitas também já tinham perdido o "fervor de noviço" dos primeiros tempos. Os locutórios dos conventos de Ávila eram uma espécie de centro de reunião para damas e cavalheiros da cidade. Por qualquer pretexto, mesmo sendo contemplativas, as religiosas deixavam a clausura. Os conventos passaram a ser lugares ideais para quem desejava uma vida fácil e sem problemas.
As comunidades eram tão grandes quanto habitualmente relaxadas. O Convento da Encarnação possuía quase 200 religiosas. A questões das conversas nos parlatórios, da quebra de clausura das religiosas e do desprezo pela oração eram os aspectos mais salientes e visíveis. Havia também outros pontos decadentes.

Uma situação anormal, tida como normal

Já que esta situação era tida como normal, as religiosas não se davam conta de que o seu modo de vida estava muito distante do espírito de seus fundadores. De fato, uma reforma era necessária. E ela tornara-se urgente.
Teresa haveria de levar avante esse grandioso empreendimento. E isso não foi uma tarefa fácil. Logo no início dela as incompreensões foram enormes, as desconfianças se espalharam e os comentários e as oposições cresceram, sobretudo da parte dos que eram atingidos... Teresa foi criticada pelos nobres, pelos magistrados, pelo povo e até por suas próprias irmãs. Apesar disso tudo, o sacerdote dominicano Padre Ibañez incentivou Teresa a prosseguir seu projeto.
Se a reforma não fosse uma obra querida por Deus e se não tivesse no seu início o apoio de santos como São Pedro de Alcântara, São Luís Beltran, de Bispos como Dom Francisco de Salcedo e de sacerdotes como o Padre Gaspar Daza e o Padre Bañez essa obra não teria vingado, morreria em seu nascedouro. Teresa tinha total razão quando em certa ocasião disse: "Teresa sem a graça de Deus é uma pobre mulher; com a graça de Deus, uma fortaleza; com a graça de Deus e muito dinheiro, uma potência".

Reforma nos conventos - Reforma em toda vida religiosa

Se algo em uma instituição algo não anda bem, a solução e reformá-la. Não é destruí-la: não se apaga a mecha que ainda fumega... Teresa pensava assim e foi o que ela se propôs a fazer. Ela começou por estabelecer em seu convento a mais estrita clausura e o silêncio quase perpétuo. A comunidade deveria viver dentro da maior pobreza. As religiosas passaram a vestir hábitos toscos, usavam sandálias em vez de sapatos (por isso foram chamadas "descalças") e eram obrigadas a abstinência perpétua de carne.
A Reformadora do Carmelo, a princípio, não aceitava comunidades com mais de treze religiosas. Mais tarde, nos conventos que tinham possibilidades de obter alguma renda, ela aceitou que nele residissem vinte monjas. Isso era o começo. Para concretizar e aprofundar a Reforma, era necessário algo mais. Além do relacionamento entre os homens, era necessário pensar no mais importante: o relacionamento com Deus. E Teresa foi exímia nesse ponto.

Oração vocal, meditação, recolhimento

Santa Teresa aprendeu a prática da oração vocal com as irmãs agostinianas durante deu convívio com elas e utilizou bastante esse modo perfeitamente legítimo de rezar. Porém, ela via no seu uso certos modos de proceder que poderiam ser criticados.
Em seu entendimento, ao rezar, deveria pensar-se com mais afinco no que se diz e não apenas recitar muitas fórmulas, quase maquinalmente, apenas mexendo com os lábios, sem meditação, como tinha tornado costume fazer-se já em sua época. Segundo o que ensinou Teresa, a melhor forma de oração, o mais eficaz modo de rezar seria uma oração de recolhimento. Nesse modo de rezar o espírito deve esvaziar-se de si mesmo, a imaginação e o entendimento calar-se, e então, aprende-se a amar a Deus.
Em seu modo de rezar, ela se fixa no pensamento meditativo dos mistérios da humanidade de Cristo, no seu sofrimento redentor e amoroso e, pouco a pouco, abandona seu próprio ser e seu espírito, desinteressando-se de si mesmo. A alma vive e vê tudo isso. É uma forma de oração ativa, laboriosa, voluntária e perseverante. Numa palavra, contemplativa.

"Não sabeis o que é oração mental, nem como se faz a vocal, nem o que é contemplação..."

Falando para suas irmãs do Carmelo, Teresa ensinava-lhes a rezar e dava-lhes recomendações. De certa feita, ela ensinou a suas irmãs como rezar, como elevar suas almas a Deus:
"Comecemos por nos perguntar a quem vamos falar, e quem somos. Não podemos dirigir a um príncipe de modo tão informal quanto a um trabalhador ou a pobres criaturas como nós, a que se pode falar de qualquer jeito, e sempre está muito bem!"
"Dirige a Deus cada um dos teus atos, oferece-os e pede-lhe que seja com grande fervor e desejo de Deus. Em todas as coisas, observa a providência de Deus e sua sabedoria. Em tudo, envia-lhe o teu louvor.
Em tempo de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitencia a que estás habituada. Antes as intensifica. E verás com que "prontidão o Senhor te sustenta."
"Que teu desejo seja ver Deus. Teu temor, perdê-lo. Tua dor, não te comprazeres na sua presença. Tua satisfação, o que pode conduzir-te a ele. E viverás numa grande paz."
"Quem verdadeiramente ama a Deus, ama tudo o que é bom, quer tudo o que é bom, favorece tudo o que é bom; louva todo o bem, com os bons se junta sempre, para apoiá-los e defendê-los. Em uma palavra, só ama a verdade e o que é digno de ser amado."
"Quando recito o Pai-nosso, será um sinal de amor lembrar quem é esse Pai e também quem é o Mestre que nos ensinou essa oração. "Ò meu Senhor, como vos mostrais Pai de tal Filho, e como vosso Filho revela que veio de tal Pai. Bendito seja para sempre.
"Deixemos a terra, minhas filhas; não é justo que apreciemos tão mal um favor como esse, e que, depois de ter compreendido sua grandeza, continuemos sobre a terra." (Orações e recomendações de Santa Teresa, extraídas do livro: "Orar com Santa Teresa de Ávila - Edições Loyola - 1987.)

Uma mística recolhida e ativa

A grande mística Teresa não descuidava das coisas práticas. Sabia utilizar as práticas materiais para o serviço de Deus. Tinha uma vida interior que era o motor de suas atividades. Era dela a "equação": vontade de Deus, mais dois ducados, mais Teresa, igual a sucesso.
Certo dia encontrou-se em Medina del Campo com dois frades carmelitas que estavam dispostos a abraçar a Reforma: Frei Antonio de Jesús de Heredia, superior, e Frei Juan de Yepes, que seria o futuro São João da Cruz. Com eles começou a estender a Reforma também para o ramo masculino da Ordem do Carmo.
Aproveitando a primeira oportunidade, ela fundou um pequeno convento de frades em Duruela, em 1568 e no ano seguinte fundou o de Pastrana. Nos dois reinavam a pobreza e austeridade, o recolhimento, a vida de religião. Outros conventos e mosteiros foram surgindo. Santa Teresa deixou que as novas fundações ficassem a cargo de São João da Cruz.

Lutas, separação e alcance

Depois de muitas lutas, incompreensões e perseguições, obteve de Roma uma ordem superior que estabelecia uma separação dentro da Ordem do Carmo: os Carmelitas Descalços não estariam mais sob a jurisdição do Provincial dos Calçados.
Na época dessa separação, 1580, Santa Teresa tinha 65 anos e sua saúde já estava muito debilitada. Isto não impediu que ela ainda fundasse outros dois conventos de cumprimento exímio das regras. Os mosteiros fundados sob inspiração da reforma influenciada por Teresa -é bom que se ressalte isso-- não eram simplesmente um refúgio, um descanso para as almas contemplativas, cumpridoras das regras e que procuravam apenas a santificação pessoal.
Eles sempre foram uma "escola de amor de Deus" que se espalhava não só pelos outros mosteiros, mas que influenciavam almas fora deles. O viver a vida religiosa reformada influenciou a vida para além dos muros dos mosteiros. Um novo estado de espírito difundiu-se pela sociedade toda.
Nos mosteiros a ação de Teresa teve uma outra consequência também muito importante: fez nascer uma espécie desejo de reparação pelos males e destroços causados nos mosteiros pelo pela revolução protestante em todos os lugares, porém, mais especialmente na Inglaterra e Alemanha.

Recolhida e ativa até o fim

Em sua vida, o recolhimento, a atividade e as dificuldades eram inseparáveis. Na última de suas fundações, o mosteiro de Burgos, as dificuldades não diminuíram. Quando o convento já ia com suas obras adiantadas, em julho de 1582, Santa Teresa tinha intenção de retornar a Ávila. Porém foi forçada a mudar seus planos e dirigindo-se para Alba de Tormes. Pretendia visitar a duquesa Maria Henríquez. A viagem não estava bem programada e a Santa estava tão fraca que desmaiou no caminho. Chegando a Alba, Teresa piorou.
Três dias depois ela disse à Beata Ana de São Bartolomeu, sua acompanhante na viagem: "Finalmente, minha filha, chegou a hora de minha morte".
O Pe. Antônio de Heredia foi quem ministrou-lhe os últimos sacramentos. Quando ele levou-lhe o viático, a Santa conseguiu erguer-se do leito e todos ouviram quando ela exclamou: "Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!" Pouco depois, os que estavam em torna de seu leito puderam ouvir sua última frase: "Morro como filha da Igreja".
Eram 9 horas da noite do dia 4 de outubro de 1582. Como exatamente no dia seguinte efetuou-se a mudança para o calendário gregoriano, sendo suprimidos dez dias na contagem dos anos, a comemoração de sua morte foi fixada para o dia 15 de outubro. Ela foi sepultada em Alba de Tormes, onde repousam suas relíquias.
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Em 1614 foi beatificada pelo Papa Paulo V. Em 1622 foi canonizada por Gregório XV. O Papa Paulo VI, em 27 de setembro de 1970 proclamou Santa Tereza como Doutora da Igreja.
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Santa Teresa de Ávila é uma das maiores personalidades da mística católica de todos os tempos, sendo considerada como um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Ateus e livres-pensadores se veem obrigados a enaltecer sua viva e penetrante inteligência; reconhecem a força persuasiva de seus argumentos, bem como seu estilo vivo e atraente, além de seu profundo bom senso.
O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, tinha Santa Teresa em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos. (JSG)
Fontes:
http://castelointerior.wordpress.com/2008/08/15/santa-teresa-de-avila-castelo-interior-as-sete-moradas-do-ser/
http://castelointerior.wordpress.com/2008/08/15/santa-teresa-de-avila-castelo-interior-as-sete-moradas-do-ser/

http://www.carmelosantateresa.com/santos/santateresa.htm
http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/eurico/198.htm
http://portalcot.com/br/poesias/priscila-alves/a-cruz/
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org)



sábado, 10 de outubro de 2015

MATERNITATIS B.M.V. 11 de outubro

Maternidade de Maria


A CONFIANÇA NA MATERNALIDADE DE MARIA



 

“ Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo” (cf. Mt 1, 16). Eis o maior e mais elevado título de Maria: Mãe de Deus. Maternidade esta que, em afeto e desvelo supremos, se estende, como consequência, aos homens.
Com o cunho de seu gênio e hábil maestria em temas marianos, assim ensina São Luís Maria Grignion de Montfort: “A Santíssima Virgem, sendo necessária a Deus, duma necessidade chamada hipotética, devido à sua vontade é muito mais necessária aos homens para chegarem a seu último fim”. 

De fato, logo no início do cristianismo, os primeiros cristãos aliaram, ao título de Mãe de Deus, invocar Maria enquanto Mãe dos homens.
De modo algum sairá confundido quem a Ela recorre e busca seus ensinamentos maternais. Nos escritos de Veremundo Toth em louvor a Maria, encontramos: “Com sua bondade, Maria cativa, até hoje, inúmeros homens que têm a certeza de que alguém que recorreu à proteção de Maria e implorou sua assistência nunca foi por Ela desamparado. E por que essa confiança ilimitada na Virgem Maria? Porque Ela nos ama, sendo nossa Mãe”.  
A esse respeito, recordemo-nos das palavras do Divino Mestre:
E qual de vós porventura é o homem que, se seu filho lhe pedir pão lhe dará uma pedra? E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que Lho pedirem. (Mt 7, 9-11).
Como age o Pai em relação aos que a Ele Se voltam, de igual modo, guardadas as devidas proporções, o faz a Rainha dos Céus. Foi justamente para demonstrar o amor que o Padre Eterno nos tem, que Ele quis dar-nos Maria como Mãe. Segundo as palavras de São João Paulo II em sua Encíclica Redemptor Hominis: “ […]esse amor aproxima-se de cada um de nós por meio desta Mãe e, de tal modo, adquire sinais compreensíveis e acessíveis para cada homem”.

A necessidade dos filhos e o socorro da Mãe Celeste

Declinaremos a seguir um fato narrado pelo doutor e moralista da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório,
4 em que vemos ilustrada a proteção maternal de Maria aos que A invocam, mesmo quando os réus se encontram em extremos de crimes e devassidão.
Conta-nos ele que, por volta do ano de 1604, em Flandres, dois jovens, descuidando-se dos estudos, começaram a levar uma vida desenfreada, entregando-se a toda espécie de libertinagem. Aconteceu que, certo dia, estando eles numa casa de perdição, ocorreu a um deles, chamado Ricardo retirar-se dali, enquanto o companheiro lá permanecia.
Ao chegar a casa e se aprontar para dormir, Ricardo lembrou-se de não ter ainda recitado umas Ave-Marias, como era seu costume, em honra da Virgem Maria. O sono o impedia a isso e pouco desejo tinha ele de o fazer, mas por fim, acabou concluindo essas orações e adormeceu. De repente, ouviu alguém bater fortemente à porta. Sem que tivesse tempo de se levantar, vê diante de si o companheiro, com a fisionomia horrivelmente desfigurada.
— Ai, pobre de mim! — exclamou aquele infeliz — ao sair daquela casa infame, veio um demônio e me sufocou. O meu corpo ficou no meio da rua, a minha alma está no inferno. Sabes, pois — acrescentou —, que o mesmo castigo te tocava a ti. Mas a bem-aventurada Virgem, pelo teu pequeno obséquio das Ave-Marias te livrou dele. Ditoso de ti, se tu souberes aproveitar deste aviso que a Mãe de Deus te manda por mim.
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Dito isso, mostrou o condenado as serpentes que o mordiam, escondidas sob a capa, e a visão se desfez. Ricardo caiu em si, tocado pela graça, e enquanto dava glórias à Santíssima Virgem pela misericordiosa intercessão, procurava um meio de mudar de situação e expiar seus graves pecados. Neste momento, soaram os sinos de um mosteiro próximo, chamando os frades ao cântico de matinas, e Roberto entendeu ser aquele o local designado por Deus para sua vida penitente. Dirigiu-se ao superior do convento e após o relato da terrível visão, pediu-lhe acolhida. Para comprovar o fato, dois religiosos foram ao local por ele indicado e encontraram o corpo do infeliz, já escurecido pelo sufocamento.
Santo Afonso conclui o relato dizendo que após terem os franciscanos admitido em sua Ordem o jovem Ricardo, este levou uma vida exemplar entre os monges. Por fim, depois de intensos labores apostólicos nas Índias, foi conduzido em missão ao Japão, onde morreu mártir, por amor a Jesus Cristo.
É este episódio apenas um entre inúmeros, nos quais sempre se verificou o socorro de Nossa Senhora, corroborando nos fiéis uma grande confiança em sua Mãe e Rainha.
Este amparo maternal de Nossa Senhora a cada filho seu se manifesta com um matiz diferente, mas sempre sublime. Nesse sentido, a história de cada homem, quando dócil aos chamamentos da Mãe Celeste, pode ser resumida numa escalada de sublimes comunicações entre Mãe e filho: Maria e cada homem em particular. E quanto mais esta relação se torna íntima e intensa, tanto mais a vida adquire brilho. O ânimo da vida vem quando se toma contato com a maternalidade de Maria e se experimenta suas carícias, porque então as asas para o voo a Deus começam a nascer.

1SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. 34.ed. Petrópolis: Vozes, 2005, p. 42-43.
2 TOTH, Veremundo. Louvores à Virgem Maria: Reflexões sobre a Ladainha de Nossa Senhora. 3.ed. São Paulo: Vozes, 1998, p. 34.
3 JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptor Hominis, n. 22.
4 SANTO AFONSO DE LIGÓRIO. Glórias de Maria. 2.ed. Aparecida: Editora Santuário, 1987, p. 189.
 

Colaboração Irmã Nilza do Carmo

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

02 de Outubro – Festa dos Santos Anjos da Guarda

  


                                  


Eis o que diz o Senhor Deus: Envio-te o meu Anjo para andar à frente de ti, e te guardar no caminho e te introduzir na região que te preparei. Olha para ele, e escuta a sua voz, e não julgues que o deves desprezar, porque não te perdoará quando pecares, e em si traz o meu nome. Se lhe ouvires a voz e observares tudo o que digo, serei inimigo dos teus inimigos, e afligirei os que te afligem e o meu Anjo andará adiante de ti”. (Ex 23, 20-23 – Epístola da Festa dos Anjos da Guarda, 2 de outubro)

[…] “Vede, não desprezeis um só destes pequeninos; pois vos declaro que os seus Anjos dos Céus vêem incessantemente a face de Meu Pai que está nos Céus”. (Mt 18, 10 – do Evangelho da Festa dos Anjos da Guarda, 2 de outubro)
Ensina Santo Tomás de Aquino a respeito dos Anjos da Guarda:
“A cada homem é delegado um anjo para sua guarda”. (Summa Theol. I-II, q.113, a.2) “O homem, na vida presente, encontra-se em uma espécie de caminho que deve tender para a pátria. Nesse caminho são muitos os perigos que o ameaçam, dentro e fora: ‘No caminho pelo qual eu ando, armaram-me uma cilada’ (Sl 141, 4). Por isso, aos homens que andam por caminhos não seguros são dados guardas. Assim também a cada homem em sua peregrinação terrestre é delegado um anjo para sua guarda. Quando chegar ao termo da vida, já não terá tal anjo; mas no céu um anjo reinando com ele, e no inferno terá um demônio para puni-lo”. (Summa Theol. I-II, q.113, a.4)
Hino das Vésperas [1]
I. Vamos cantar aos Anjos tutelares dos homens, que o Pai celeste deu por companheiros à nossa natureza enfermiça, para que não sucumbíssemos às insídias do inimigo.
II. Pois o anjo traidor, vendo-se, depois da queda, despojado da honra que lhe fora concedida, arde de inveja e quere destruir os que Deus chama para o Céu.
III. Acorre, pois, ó guarda vigilante, e afasta da pátria, que recebeste para defender, os males espirituais, e quanto pode perturbar a paz dos que nela habitam.
IV. Glória à Trindade Santíssima, que governa com Sua providência esta admirável máquina do mundo, e cuja glória não se extinguirá jamais.
DA FESTA DOS ANJOS 

Em que dia celebra a Igreja a festa dos Anjos?
A Igreja celebra no dia 29 de setembro a festa de São Miguel,  e no dia 2 de outubro a festa dos Anjos da Guarda.

[…] Quais são os Anjos que se chamam Anjos da Guarda?[2]

Chamam-se Anjos da Guarda aqueles que Deus destinou para nos guardarem e guiarem no caminho da salvação.
Como sabemos nós que há Anjos da Guarda?
Que há Anjos da Guarda sabemo-lo por meio da Sagrada Escritura e pelo ensinamento da Igreja.
Que assistência nos presta o Anjos da Guarda?
O Anjo da Guarda:
1) assiste-nos com boas inspirações e, recordando-nos os nossos deveres, guia-nos no caminho do bem;
2) oferece a Deus as nossas orações e alcança-nos as suas graças;
Que proveito devemos tirar do que a Igreja nos ensina com respeito aos Anjos da Guarda?
Do que a Igreja nos ensina com respeito aos Anjos da Guarda devemos tirar o proveito de um contínuo reconhecimento à bondade divina, por no ter dado os Anjos como guardas, e também aos mesmos Anjos pelo amoroso cuidado que têm conosco.
Em que deve consistir o nosso reconhecimento para com os Anjos da Guarda?
O nosso reconhecimento para com os Anjos da Guarda deve consistir em quatro coisas:
1) respeitar a sua presença e não os contristar com pecado algum;
2) seguir prontamente os bons sentimentos que, por meio deles, Deus excita em nossos corações;
3) fazer as nossas orações com a maior devoção, a fim de que as acolham com agrado e as ofereçam a Deus;
4) invocá-los frequentemente e com muita confiança, nas nossas necessidades, e especialmente nas tentações.

Colaboração Irmã Nilza do Carmo