quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

DOCES ÍCONES

Estudo  iconográfico sobre Santa Maria dos Carmelitas

A iconografia religiosa não foi inventada pelos artistas, mas é realmente a representação, em forma visível, daquilo em que se acreditava e se vivia na época em que foi realizada. O artista, para traduzir a imagem desejada, deve pinta-la, aprofundando a sua busca no mais profundo da sensibilidade e cultura, espiritualidade e visão do seu mundo e do mundo do solicitante. A segunda capacidade do artista, ao preparar a "sua imagem", é fazer vibrar o coração daquele que olha. Para isso, precisa torna-la uma mensagem viva e visível. Nasce daí a importância dos estudos iconográficos que, além do fato artístico, colocam visivelmente esta mensagem para compreensão das riquezas vivas e vitais, encontradas nas várias épocas.
Apresentamos aqui informações iconográficas sobre o tema "SANTA MARIA DOS CARMELITAS"
Elas nos ajudarão a compreender o discurso mariano feito através da arte no Carmelo, ou seja, como esta era apresentada pelos artistas carmelitanos, ou através das obras artísticas nas igrejas da Ordem, desde o início até hoje.
a) O ícone-retrato de Maria
 
Toda uma série de tipos ou modelos sobre estes motivos nos são apresentados, sendo os mais frequentes nos séculos XII e XIII:

FOTOOS ÍCONES DE MARIA
Segundo conta a lenda, o apóstolo São Lucas, que também era médico, teria pintado 3 grandes modelos de ícones da Virgem Maria:

1) A virgem da Ternura, ou A Eleusa com o menino Jesus. Ícone de grande beleza e estabilidade, é reproduzida por grande parte dos iconógrafos.
Este motivo iconográfico pretende exaltar aspectos da humanidade: os rostos da Mãe e do Filho estão aconchegados em expressão de doce intimidade. Nesse ícone mariano é típica a posição das mãos: bem visíveis as quatro e expressivas no abraço afetuoso entre a mãe e o filho. Este motivo inspirou vários modelos de ícones marianos, sendo dentre todos o mais notável o de Wladimir, obra prima, na primeira metade do século XII, realizada em Constantinopla.
  


OS ÍCONES DE MARIA
Segundo conta a lenda, o apóstolo São Lucas, que também era médico, teria pintado 3 grandes modelos de ícones da Virgem Maria:

1) A virgem carinhosa (Nossa Senhora da Ternura), com o menino Jesus. Ícone de grande beleza e estabilidade, é reproduzida por grande parte dos iconógrafos.




FOTO2) A virgem Odighitria, aquela que indica o caminho.

Na iconografia de Maria, chamada na ortodoxia de a "Mãe de Deus", a imagem da Hodiguitria ocupa um lugar privilegiado. Ela continua sendo a imagem preferida no mundo ocidental. Mas sua origem é oriental, e sua lenda é atribuída à um milagre da Santa Virgem:
Em Constantinopla, a "Mãe de Deus" teria aparecido à dois cegos. Levando-os pelas mãos ela os teria conduzido ao célebre mosteiro e santuário da Hodiguitria onde ela os teria curado da cegueira.
Construído por Miguel III (842-867), o santuário era chamado de a Igreja dos Guias, pois o chefe do exército, antes de partir para a batalha, vinha rezar diante do ícone que levava o nome do Santuário. Desde este tempo, os cegos e os que sofriam doenças nos olhos vieram até a fonte próxima desta Igreja, na intenção de encontrar a cura milagrosa.
Odighitria- Aquela que indica o Caminho. Século XIV.

Neste modelo Jesus Cristo, Menino, tem no rosto a expressão de que é a "Eterna Sapiência"; com a mão direita abençoa e com a esquerda segura o rolo da Sagrada Escritura. Maria, a Mãe de Deus, em posição frontal, volta os olhos para nós: com um braço sustenta o Filho, enquanto com o outro (polegar estendido) no-lo indica: é Ele o Caminho".
Este motivo iconográfico, que exalta a divindade, foi difundido a partir do século VI. Nas Cruzadas, até o ano de 1261, carregava-se sempre um quadro desse tipo nas procissões.


( A Senhora do Lugar - Maria na História e na vida do Carmelo)
Emanuele Boaga, O. Carm.

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

13 de Janeiro - Batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo

O Batismo é o nascimento. 

Como a criança que nasce depende dos pais para viver, também nós dependemos da vida que Deus nos oferece. No Batismo, a Igreja reunida celebra essa experiência de sermos dependentes, filhos de Deus. Pelo Batismo, participamos da vida de Cristo. Jesus Cristo é o grande sinal de que Deus cuida de nós.
O santo Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, a porta da vida no Espírito e a porta que abre o acesso aos demais sacramentos. Pelo Batismo somos libertados do pecado e regenerados como filhos de Deus, tornamo-nos membros de Cristo, somos incorporados à Igreja e feitos participantes de sua missão: "Baptismus est sacramentum regenerationis per aquam in verbo – O Batismo é o sacramento da regeneração pela água na Palavra".
Quando recebemos o Sacramento do Batismo, transformamo-nos de criaturas para Filhos Amados de Deus. Muitos pensam que os sacramentos em geral são obras eclesiásticas, ou seja, os sacramentos são "invenções" da Igreja. Isso não é verdade, os sacramentos são sem sombra de dúvidas criadas por Jesus Cristo, o próprio Deus Encarnado.
O profeta João Batista, primo de Jesus, que veio ao mundo para preparar os caminhos para a vinda do Messias, foi quem batizava as pessoas para a vinda de Cristo (Mc 1, 2s). Ele sabia que o seu Batismo era temporário, pois logo depois dele viria o seu primo Jesus que batizaria no Espírito Santo, ou seja, o profeta batizava com água e Jesus batizava com o Espírito Santo. A Bíblia sugere o batismo de todos, o que inclui as crianças.
Atos 2, 38-39: "Disse-lhes Pedro: 'Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo. A promessa diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos que estão longe – a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar'." E também outras passagens. (ver Atos 16, 15; Atos 16, 33; Atos 18, 8; 1Coríntios 1, 16)
O Batismo é o sacramento da comunhão de todos no Cristo. É isso que nos diz São Paulo: "Pois todos vocês, que foram batizados em Cristo, se revestiram de Cristo. Não há mais diferenças entre judeu e grego, entre escravo e homem livre, entre homem e mulher, pois todos vocês são um só em Jesus Cristo" (Gl 3, 27-28)
Para que existe o Batismo?

 Adão e Eva pecaram gravemente, desobedecendo a Deus, querendo ser iguais a Deus. Foram, por isso, expulsos do Paraíso. Passaram a sofrer e a morrer. Deus castigou-os e transmitiu a todos os filhos de Adão, ou seja, a todos os homens, o pecado original. Mas Deus prometeu a Adão e Eva que enviaria seu próprio Filho, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que seria igualmente homem, para morrer na Cruz e pagar assim o pecado de Adão e Eva e todos os outros pecados.

Mas não basta que Jesus tenha morrido na Cruz. É preciso ainda que essa morte de Jesus seja aplicada sobre as almas para que elas reencontrem a amizade de Deus, ou seja, se tornem filhos de Deus e tenham apagado o pecado original. Foi então para aplicar seu Sangue derramado na Cruz sobre nossas almas que Jesus instituiu o Sacramento do Batismo.

Quando foi que Jesus instituiu o Batismo?
Jesus instituiu o Batismo logo no início da sua pregação, quando entrou no rio Jordão para ser batizado por São João Batista. O Batismo de João não era um Sacramento. Só quando Jesus santifica as águas do Jordão com sua presença e que a voz do Pai se faz ouvir: "Este é meu Filho bem amado, em quem pus minhas complacências", e que o Espírito Santo aparece sob a forma de uma pomba (foi então uma visão da Santíssima Trindade), é que fica instituído o Batismo.

Essa instituição será confirmada por Jesus quando Ele diz a seus Apóstolos: "Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." Leia na Bíblia, no Evangelho de São Mateus, o Capítulo 3, Versículo 13.

Matéria e Forma
Jesus instituiu, então, o Batismo e determinou que seria usada a água como matéria desse Sacramento. Foi também Jesus quem determinou a forma: "Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém." O rito da Batismo consiste assim em derramar água na cabeça da pessoa que vai ser batizada, ao mesmo tempo em que se diz a forma. Mas só isso não basta. É preciso ainda que o ministro tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja Católica no Sacramento do Batismo.

A Santa Igreja acrescentou também diversas orações preparatórias que completam a cerimônia. Quem já assistiu a um Batismo sabe que o Padre usa o sal bento, o óleo dos catecúmenos, o Santo Crisma, entrega a vela acesa aos padrinhos, veste a roupa branca no batizado e, principalmente, reza as orações contra o demônio, para que o pai da mentira nem se aproxime do batizado. Esse é o batismo Católico, o único instituído por Jesus, o único capaz de nos tornar filhos de Deus.

O Ministro do Batismo
Normalmente, o ministro do Batismo é um Padre. É ele quem recebeu de Deus o poder de trazer a Fé ao coração da pessoa batizada, tornando-a filha de Deus. Mas pode acontecer que seja preciso batizar às pressas alguém. Se não houver um Padre por perto, qualquer pessoa pode batizar, desde que queira fazer o que a Igreja Católica faz no Batismo, que use água e diga as palavras da forma do Batismo.

Além da pessoa que está sendo batizada, do ministro que batiza, há também, na cerimônia do Batismo, os padrinhos, que seguram a criança. Normalmente escolhe-se para padrinhos um homem e uma mulher. Eles devem ser bons católicos, pois a função dos padrinhos é dar o exemplo, ajudar aos afilhados a aprender o Catecismo, a rezar, a conhecer e amar a Deus. São os padrinhos que respondem no nosso lugar as perguntas que o ministro faz durante a cerimônia.

Os efeitos do Batismo
O Batismo nos dá, pela primeira vez, a graça santificante, que é a amizade e a presença de Deus no nosso coração. Junto com a graça recebemos o dom da Fé, da Esperança e da Caridade, assim como todas as demais virtudes, que devemos procurar proteger no nosso coração. Apaga o pecado original. Apaga os pecados atuais e todas as penas ligadas aos pecados. Imprime na nossa alma o caráter de cristão, fazendo de nós, filhos de Deus, membros da Santa Igreja Católica e herdeiros do Paraíso. Nos torna capazes de receber os outros Sacramentos.

Por isso tudo, vemos que o Batismo é absolutamente necessário para a salvação. Só entra no Céu quem for batizado. Mas para as crianças que morrem ser terem sido batizadas e não têm culpa, a Igreja as confia à misericórdia de Deus e na sua promessa de que queria que todos se salvassem (1Tim 2, 4) principalmente quando chama para si as crianças, que são praticamente os únicos seres puros de coração (Mc 10, 14). Isso é chamado Limbo. (ver CIC 1261).

Colaboração: Irmã Nilza do Carmo

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

VERDADES FUNDAMENTAIS DA DEVOÇÃO À SANTISSIMA VIRGEM




 
A pretexto de não ofender a Nosso Senhor, destroem a devoção a Nossa Senhora 
Continua São Luís Maria Grignion de Montfort:
"Estes senhores raras vezes falam de Maria e da devoção que se Lhe deve ter, porque - dizem - receiam que se abuse dessa devoção, e que se Vos ofenda honrando excessivamente Vossa Mãe Santíssima" (tópico 64).
Encontramos às vezes, entre católicos, a formulação de que o culto a Nossa Senhora é coisa boa, mas que "há um certo exagero nele, por onde Nosso Senhor não é suficientemente cultuado; é preciso cultuar a Virgem Santíssima, mas reservando sempre o primeiro lugar para Nosso Senhor".
Ligada a esta formulação que amalgama dolosamente erros e verdades, há também uma atitude falsa com relação à devoção ao Santíssimo Sacramento. Assim, por exemplo, entrando numa igreja, encontramos com certa freqüência pessoas instruídas na Religião, rezando diante do Santíssimo Sacramento. Mas se formos procurá-las diante de uma imagem de Nossa Senhora, rarissimamente as encontraremos. Tem-se a impressão de que, para eles, o culto das imagens é uma espécie de utensílio para a piedade mais primitiva dos fiéis, uma coisa superficial. Por isso, em geral, entra-se numa igreja e se vai rezar diante do Santíssimo Sacramento; diante de uma imagem de Nossa Senhora, quão mais raro!
A verdade, porém, é inteiramente outra. De fato, o objeto principal de nosso culto numa igreja é o Santíssimo Sacramento. Mas se quisermos cultuá-Lo bem, é excelente que passemos por uma imagem de Nossa Senhora, pedindo a Ela as forças e as graças para fazermos diante de Nosso Senhor um minuto de adoração bem feita.
Em um dos ritos da Igreja Oriental há um costume muito bonito, pelo qual, antes da comunhão, os fiéis passam diante de ícones que há ao lado do altar-mor, e rezam aos santos ali representados para que os auxiliem, naquele momento de receber Nosso Senhor. E após receberem as Sagradas Espécies, passam diante dos ícones do lado oposto, e pedem aos santos que os auxiliem para bem receber os frutos da comunhão. Esta é uma compreensão perfeita do culto a Nosso Senhor. O bom católico nunca o vê separado do culto aos santos, muito menos ainda do culto a Nossa Senhora, pois a auréola normal de Nosso Senhor são os seus Anjos e seus santos. 

Apresentá-La de um modo terno, forte e persuasivo 
"Se vêem ou ouvem algum devoto da Santíssima Virgem falar muitas vezes, dum modo terno, forte e persuasivo, da devoção a esta boa Mãe como de um meio seguro e sem ilusão, dum caminho curto e sem perigo, duma via imaculada e sem imperfeição, e dum segredo maravilhoso para chegar a Vós e Vos amar perfeitamente, clamam contra ele, e lhe apresentam mil razões falsas para provar-lhe que não é necessário falar tanto a respeito da Santíssima Virgem, que há muito abuso que é preciso empenhar-se em destruir, nessa devoção, e aplicar-se em falar sobre Vós, em vez de favorecer a devoção à Virgem Maria, a quem o povo já ama suficientemente" (tópico 64).
É a expressão do mesmo pensamento. Notemos, contudo, um pormenor: "Se vêem algum devoto da Santíssima Virgem falar muitas vezes, de um modo terno, forte e persuasivo". Como se vê, até nas pequenas coisas de São Luís Grignion temos uma total identidade de posição com ele. Não se deve falar de Nossa Senhora de modo oco e romanceado, mas, como fez São Luís, de modo afetuoso, forte e persuasivo. Afetuoso e forte, isto é, que atinge a vontade; persuasivo, que atinge a inteligência. Nossa devoção à Virgem Santíssima deve basear-se em coisas que atinjam a inteligência, e não consistir apenas em melúrias e coisas adocicadas. 

Colaboração Ir. Nilza do Carmo