domingo, 27 de dezembro de 2015

Dia dos Santos Inocentes-28 de dezembro




Dia dos Santos Inocentes

O Dia dos Santos Inocentes é uma celebração cristã em homenagem aos Santos Inocentes, os meninos assassinados no evento bíblico que ficou conhecido como Massacre dos Inocentes, relatado em Mateus 2:16-18, festejada entre os dias 27 e 29 de dezembro, dependendo da denominação cristã.

A festa de hoje, instituída pelo Papa São Pio V, ajuda-nos a viver com profundidade este tempo da Oitava do Natal. Esta festa encontra o seu fundamento nas Sagradas Escrituras. Quando os Magos chegaram a Belém, guiados por uma estrela misteriosa, "encontraram o Menino com Maria e, prostrando-se, adoraram-No e, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes - ouro, incenso e mirra. E, tendo recebido aviso em sonhos para não tornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra. Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: 'Levanta-te, toma o Menino e sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para o matar'. E ele, levantando-se de noite, tomou o Menino e sua mãe, e retirou-se para o Egito. E lá esteve até à morte de Herodes, cumprindo-se deste modo o que tinha sido dito pelo Senhor por meio do profeta, que disse: 'Do Egito chamarei o meu filho'. Então Herodes, vendo que tinha sido enganado pelos Magos, irou-se em extremo e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e arredores, de dois anos para baixo, segundo a data que tinha averiguado dos Magos. Então se cumpriu o que estava predito pelo profeta Jeremias: 'Uma voz se ouviu em Ramá, grandes prantos e lamentações: Raquel chorando os seus filhos, sem admitir consolação, porque já não existem'" (Mt 2,11-20)
. Quanto ao número de assassinados, os Gregos e o jesuíta Salmerón (1612) diziam ter sido 14.000; os Sírios 64.000; o martirológio de Haguenau (Baixo Reno) 144.000. Calcula-se hoje que terão sido cerca de vinte ao todo. Foram muitas as Igrejas que pretenderam possuir relíquias deles.

Comemoração

A comemoração do massacre dos "Santos Inocentes" - considerados por muitos cristãos como sendo os primeiros mártires - apareceu primeiro como uma festa na igreja ocidental no "Sacramentário Leonino" (ca. 485 d.C.). As primeiras comemorações estavam ligadas à Festa da Epifania, em 6 de janeiro: Prudêncio menciona os Inocentes em seu hino sobre a Epifania. Leão Magno, em suas homilias sobre a Epifania, fala sobre os Inocentes. Fulgêncio de Ruspe (séc. VI) também compôs uma homilia (De Epiphania, deque Innocentum nece et muneribus magorum - "Sobre a Epifania e sobre o assassinato dos Inocentes e os presentes dos Magos").

Atualmente, a data da festa varia. Para os sírios ocidentais (Igreja Ortodoxa Síria, Igreja Católica Siro-Malancar e a Igreja Maronita) e os sírios orientais (Igreja Católica Caldeia e a Igreja Católica Siro-Malabar), o dia é 27 de dezembro. Para a Igreja Católica, Igreja da Inglaterra e a Igreja Luterana, a data é 28 de dezembro. Já a Igreja Ortodoxa comemora os Inocentes em 29 de dezembro.


Colaboração Ir. Nilza do Carmo

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Santo Estevão - 26 de dezembro



 


Santo Estêvão é chamado de Protomártir, ou seja, ele foi o primeiro mártir de toda a história católica

Nos capítulos 6 e 7 dos Atos dos Apóstolos encontramos um longo relato sobre o martírio de Estêvão, que é um dos sete primeiros Diáconos nomeados e ordenados pelos Apóstolos. Santo Estêvão é chamado de Protomártir, ou seja, ele foi o primeiro mártir de toda a história católica. O seu martírio ocorreu entre o ano 31 e 36 da era cristã. Eis a descrição, tirada do livro dos Atos dos Apóstolos:
“Estêvão, porém, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Levantaram-se então alguns da sinagoga, chamados dos Libertos e dos Cirenenses e dos Alexandrinos, e dos da Cicília e da Ásia e começaram a discutir com Estêvão, e não puderam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. Subornaram então alguns homens que disseram: ‘Ouvimo-lo proferir palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus’. E amotinaram o povo e os Anciãos e Escribas e apoderaram-se dele e conduziram-no ao Sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que disseram: ‘Este homem não cessa de proferir palavras contra o Lugar Santo e contra a Lei; pois, ouvimo-lo dizer que Jesus, o Nazareno, destruirá este Lugar e mudará os usos que Moisés nos legou’. E todos os que estavam sentados no Sinédrio, tendo fixado os olhares sobre ele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo”.

Num longo discurso, Estêvão evoca a história do povo de Israel, terminando com esta veemente apóstrofe:

“‘Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, resistis sempre ao Espírito Santo, vós sois como os vossos pais. Qual dos profetas não perseguiram os vossos pais, e mataram os que prediziam a vinda do Justo que vós agora traístes e assassinastes? Vós que recebestes a Lei promulgada pelo ministério dos anjos e não a guardastes’. Ao ouvirem estas palavras, exasperaram-se nos seus corações e rangiam os dentes contra ele. Mas ele, cheio do Espírito Santo, tendo os olhos fixos no céu, viu a glória de Deus e Jesus que estava à direita de Deus e disse: ‘Vejo os céus abertos e o Filho do homem que está à direita de Deus’. E levantando um grande clamor, fecharam os olhos e, em conjunto, lançaram-se contra ele. E lançaram-no fora da cidade e apedrejaram-no. E as testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um jovem, chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão que invocava Deus e dizia: ‘Senhor Jesus, recebe o meu espírito’. Depois, tendo posto os joelhos em terra, gritou em voz alta: ‘Senhor, não lhes contes este pecado’. E dizendo isto, adormeceu”. 

Contam-se em Roma umas três dezenas de capelas e igrejas [a ele consagradas], das quais a mais famosa, Santo Estêvão Redondo, no Monte Célio, erigida pelo papa Simplício, no século V, foi lugar de peregrinações dos próprios pontífices.


domingo, 13 de dezembro de 2015

São João da Cruz 14 de dezembro

                                                                O ITINERÁRIO MÍSTICO DE SÃO JOÃO DA CRUZ

São João da Cruz sabia que os bens temporais em si mesmos não levam necessariamente ao pecado; mas a observação cotidiana mostrava-lhe ser tão grande a fragilidade humana, que o coração a eles se apega, esquecendo-se de Deus. É este abandono de Deus que constitui o pecado. E eis aqui o antídoto: “Para livrar-se deveras desses danos e temperar a demasia do apetite, é mister aborrecer toda espécie de posse; nem ter algum cuidado a respeito; como tampouco acerca de comida, de vestido, ou de outra coisa criada, nem no dia de amanhã, empregando esse cuidado em outra coisa mais alta: buscar o reino de Deus, isto é, não faltar a Deus”.

[...] Neste mundo dominado pelo furor do gozo, ciência e técnica trabalham dia e noite para despertar novos e insopitáveis desejos, de sorte que ainda ao rico dê a sensação de pobreza, por lhe faltar o último modelo de automóvel ou porque a residência carece de qualquer detalhe de ultraconforto. É, pois, indispensável querer ser pobre, estar desprendido das coisas materiais. Mas não basta desapegar-se das riquezas para ser verdadeiramente pobre; é ainda necessário desprender-se de tudo. De tudo? Sim, de tudo. [...] Exige a pobreza espiritual que nos desnudemos sobretudo de nós mesmos. [...] A pobreza ou desnudez espiritual é o grande instrumento de libertação da alma, que o apego aos bens criados, o desejo de gozá-los são outros tantos liames e a enlear a vontade... Ser livre, portanto, não é expandir os instintos, expressar os caprichos, sestros, limitações; ser livre é viver segundo nossa natureza espiritual e aderir ao verdadeiro Fim, para participar da vida livre de Deus.


Pe. M. Teixeira-Leite Penido   (2ª Edição – Editora Vozes Limitada, Petrópolis/RJ – 1954)

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

12 de Dezembro Nossa Senhora do Guadalupe

Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, atual cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa...
era Nossa Senhora de Guadalupe


Pensa-se geralmente que João Diego era um indígena "pobre" e de "baixa condição social". Contudo, sabemos hoje, por diversos testemunhos, que ele era filho do rei de Texcoco, Netzahualpiltzintli, e neto do famoso rei Netzahualcóyolt. Sua mãe era a rainha Tlacayehuatzin, descendente de Moctezuma e senhora de Atzcapotzalco e Atzacualco. Nestes dois lugares João Diego possuía terras e outros bens de herança.


 São João Diego
A este representante das etnias indígenas do Novo Mundo, a Mãe de Deus apareceu há quase quinhentos anos, trazendo uma mensagem de benquerença, doçura e suavidade, cuja luz se prolonga até nossos dias.
Para compreendermos a magnitude da bondosa mensagem de Nossa Senhora, devemos transladar-nos ao ambiente psico-religioso daquele tempo.
De um lado, as numerosas etnias que habitavam o vale de Anahuac, atual Cidade do México, haviam vivido durante décadas sob a tirania dos astecas, tribo poderosa, dada à prática habitual de sangrentos ritos idolátricos. Anualmente, sacrificavam milhares de jovens para manter aceso o "fogo do sol". A antropofagia, a poligamia e o incesto faziam parte da rotina de vida desse povo.
Os dedicados missionários, chegados ali com os conquistadores espanhóis, viam a necessidade imperiosa de evangelizar aquela gente, extirpando de modo categórico tão repugnantes costumes. Entretanto, os maus hábitos adquiridos, a dificuldade do idioma e, sobretudo, um certo orgulho indígena de não aceitar o "Deus do conquistador" em detrimento de suas divindades, tornavam difícil a tarefa de introduzir nesse ambiente a Luz do mundo.
Deus Nosso Senhor, todavia, em sua infinita misericórdia, querendo que todos os homens "se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (1 Tim 2, 4), preparava uma maravilhosa solução para esse impasse.
Nossa Senhora aparece a São João Diego
Em 9 de dezembro de 1531, João Diego estava nos arredores da colina Tepeyac, na atual Cidade do México. Repentinamente, ouviu uma música suave, sonora e melodiosa que, pouco a pouco, foi-se extinguindo. Nesse momento escutou ele uma lindíssima voz, que no idioma nahualt o chamava pelo nome. Era Nossa Senhora de Guadalupe.
Depois de cumprimentá-lo com muito carinho e afeto, Ela lhe dirigiu estas palavras cheias de bondade: "Porque sou verdadeiramente vossa Mãe compassiva, quero muito, desejo muito que construam aqui para mim um templo, para nele Eu mostrar e dar todo o meu amor, minha compaixão, meu auxílio e minha salvação a ti, a todos os outros moradores desta terra e aos demais que me amam, me invoquem e em mim confiem. Neste lugar quero ouvir seus lamentos, remediar todas as suas misérias, sofrimentos e dores."
Em seguida, Nossa Senhora pediu a João Diego que fosse ao palácio do Bispo do México, e lhe comunicasse que Ela o enviava e pedia a construção do templo.
Sem hesitar, o "mensageiro da Virgem" foi entrevistar-se com Dom Luís de Zumárraga, e contou-lhe o que havia acontecido. Mas o Bispo não lhe deu crédito e mandou-o voltar outro dia.


 Nossa Senhora aparece a João Diego
Segunda e terceira aparições
Nesse mesmo dia, ao pôr-do-sol, João Diego, pesaroso, foi comunicar a Nossa Senhora o fracasso de sua missão. Com encantadora inocência, pediu a Ela que escolhesse um embaixador mais digno, estimado e respeitado. A Mãe de Deus lhe respondeu: "Escuta, ó menor de meus filhos! Tem por certo que não são poucos os meus servidores, meus mensageiros, aos quais Eu possa encarregar de levar minha mensagem e fazer minha vontade. Mas é muito necessário que vás tu, pessoalmente, e que por teu intermédio se realize, se efetive meu querer, minha vontade. E muito te rogo, filho meu, o menor de todos, e firmemente te ordeno, que vás amanhã outra vez ver o Bispo. E de minha parte faze-o saber, faze-o ouvir o meu querer, a minha vontade, para que este a realize, faça meu templo, que lhe peço. E outra vez dize-lhe que eu, pessoalmente, a sempre Virgem Santa Maria, Mãe de Deus, te envio."
No dia seguinte, depois de assistir à Missa, João Diego voltou a procurar o Bispo Dom Zumárraga, que o recebeu com atenção, porém mais céptico ainda, dizendo-lhe ser necessário um "sinal" para demonstrar que era realmente a Rainha do Céu que o enviava. Com toda naturalidade, o indígena respondeu que sim, ia pedir à Senhora o sinal solicitado.
Ao cair do sol, como das vezes anteriores, apareceu a João Diego Nossa Senhora, radiante de doçura. Ela aceitou sem a menor dificuldade conceder-lhe o sinal pedido. Para isto, convidou-o a voltar no dia seguinte.
Ele foge, Ela vai ao seu encontro
Todavia, na segunda-feira, dia 11, João Diego não se apresentou à hora marcada. Seu tio, João Bernardino, caiu repentinamente doente, e Diego tentou todos os recursos medicinais indígenas para curá-lo. Foi em vão. Quando o enfermo percebeu a aproximação da morte, sendo já cristão fervoroso, pediu a seu sobrinho que lhe tentasse trazer um sacerdote.
Pressuroso, João Diego saiu ao amanhecer do dia 12 em busca do confessor. Mas decidiu tomar um caminho diferente do habitual, para que a "Senhora do Céu" não lhe aparecesse, pois pensava: "Ela vai me pedir satisfação de sua incumbência e não poderei buscar o sacerdote."
Mas sua artimanha não funcionou. Para seu espanto, a Mãe de Deus lhe apareceu nesse caminho. Envergonhado, João Diego tratou de se desculpar com fórmulas de cortesia próprias do costume indígena: "Minha jovenzinha, filha minha, a pequenina, menina minha, oxalá estejas contente." E depois de explicar-Lhe a enfermidade de seu tio, como causa de sua falta de diligência, concluiu: "Rogo-te que me perdoes, que tenhas ainda um pouco de paciência comigo, porque com isso não A estou enganando, minha filha pequenina, menina minha. Amanhã sem falta virei a toda pressa." Ao que lhe respondeu Nossa Senhora, com bondade e carinho próprios à melhor de todas as Mães: "Escuta, e põe em teu coração, filho meu, o menor: o que te assusta e aflige não é nada. Não se perturbe teu rosto, teu coração; não temas esta enfermidade, nem qualquer outra enfermidade e angústia. Não estou eu aqui, tua Mãe? Não estás sob minha sombra e minha proteção? Não sou eu a fonte de tua alegria? Não estás porventura em meu regaço? Tens necessidade de alguma outra coisa? Que nenhuma outra coisa te aflija, nem te perturbe. Não te assuste a enfermidade de teu tio, porque dela não morrerá por agora. Tem por certo que já sarou."

 Estampou-se milagrosamente no tecido a imagem
de Nossa Senhora de Guadalupe
Sinal para o "Mensageiro da Virgem"
Assim que ouviu essas belíssimas palavras, João Diego, muito consolado, creu em Nossa Senhora. Mas era preciso cumprir a missão. Qual era o sinal? Ela lhe ordenou subir à colina de Tepeyac e cortar as flores que ali encontrasse. Esse encargo era impossível, uma vez que lá nunca elas nasciam, e menos ainda nesse tempo de inverno. Mas Diego não duvidou. Subiu a colina e no seu cume encontrou as mais belas e variadas rosas, todas perfumadas e cheias de gotas de orvalho como se fossem pérolas. Cortou-as e as guardou em sua tilma (o poncho típico dos índios mexicanos). Ao chegar embaixo, João Diego apresentou as flores a Nossa Senhora, que as tocou com suas mãos celestiais e voltou a colocá-las na tilma.
"Filhinho meu, o menor, esta variedade de flores é a prova e sinal que levarás ao Bispo. Tu lhe dirás de minha parte que veja nela a minha vontade e que ele tem de cumpri-la. Tu és meu embaixador, no qual absolutamente deposito toda a confiança. Com firmeza te ordeno que diante do Bispo abras tua manta e mostres o que levas."
João Diego se dirigiu novamente ao palácio de Dom Zumárraga. Depois de muito esperar e insistir, os criados o deixaram chegar à presença do Bispo. O "Mensageiro da Virgem" começou a narrar todo o sucedido com Nossa Senhora e em certo momento estendeu sua tilma, descobrindo o sinal. Caíram as mais preciosas e perfumadas flores e, no mesmo instante, estampou-se milagrosamente no tecido a portentosa Imagem da Perfeita Virgem Santa Maria Mãe de Deus, que se venera até hoje no Santuário de Guadalupe.
Profundo sentido eclesial e missionário
Assim foi a grande aparição cujo primeiro resultado foi a conversão em grande escala dos indígenas. "O Acontecimento Guadalupano - assinala o episcopado do México - significou o início da evangelização, com uma vitalidade que extravasou todas as expectativas. A mensagem de Cristo, por meio de sua Mãe, tomou os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e deu-lhes o definitivo sentido de salvação." E o Papa completa: "É assim que Guadalupe e João Diego tomaram um profundo sentido eclesial e missionário, sendo um modelo de evangelização perfeitamente inculturada" (Missa de Canonização, 31/7/2002).
Por isso, determinou Sua Santidade que no dia 12 de dezembro seja celebrada, em todo o Continente, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América (Exortação Apostólica Ecclesia in América). 
Na homilia de 31 de julho de 2002, o Santo Padre dirigiu ao recém-canonizado São João Diego esta comovedora oração:
Ditoso Juan Diego, índio bondoso e cristão, em quem o povo simples sempre viu um homem santo! Nós te suplicamos que acompanhes a Igreja peregrina no México, para que seja cada dia mais evangelizadora e missionária. Encoraja os Bispos, sustenta os presbíteros, suscita novas e santas vocações, ajuda todas as pessoas que entregam a sua própria vida pela causa de Cristo e pela difusão do seu Reino.
Bem-aventurado Juan Diego, homem fiel e verdadeiro! Nós te recomendamos os nossos irmãos e as nossas irmãs leigos a fim de que, sentindo-se chamados à santidade, penetrem todos os âmbitos da vida social com o espírito evangélico. Abençoa as famílias, fortalece os esposos no seu matrimônio, apoia os desvelos dos pais empenhados na educação cristã dos seus filhos. Olha com solicitude para a dor dos indivíduos que sofrem no corpo e no espírito, de quantos padecem em virtude da pobreza, da solidão, da marginalização ou da ignorância. Que todos, governantes e governados, trabalhem sempre em conformidade com as exigências da justiça e do respeito da dignidade de cada homem individualmente, para que desta forma a paz seja consolidada.
Amado Juan Diego, a "águia que fala"! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro. (Homilia no dia da canonização Oração a São João Diego)
Nossa Senhora de Guadalupe: Uma prova de amor para com os povos americanos
Os povos pré-hispanos do México, transmitiam e conservavam a memória da sua história de geração em geração através de canções e poemas que foram transcritas pelos números e símbolos hieroglíficos, rudes fibras de cactos, algodão, couros ou cascas de árvore. Estes são chamados de "códices".
Por sua parte, os historiadores são unânimes em afirmar que a figura de Nossa Senhora de Guadalupe ou impresso na Tilman Ayate , poncho típico dos povos indígenas do México, cujo proprietário era São Juan Diego, e esta repleto de figuras simbólicas. Característica que torna ainda mais exclusivo, porque foi destinado a pessoas que comunicaram precisamente através de imagens e símbolos. Na opinião Indígena, a estampa da "Mãe de Deus" não era apenas um retrato, bonito e extraordinário, como o foi para os missionários e conquistadores, mas era uma mensagem, ou um "códice" vindo dos céus.
Através desta demonstração sobrenatural, Nossa Senhora de Guadalupe, expressou sua afeição por todas aquelas pessoas especiais, sua bondade e misericórdia sem limites e uma suavidade que até então os índios nunca tinha provado.
Analisemos alguns destes símbolos presentes na imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.
O cinto e o resplendor
Nossa Senhora de Guadalupe é apresentada com um cinto que não está localizado em sua cintura, mas, acima. Foi o sinal para os índios que estava grávida. A quem dará à luz? Ao sol resplandecente. O grande resplendor que Nossa Senhora tem por trás dela, e que saia Dela é o sol. Para os habitantes do México, esse astro é um símbolo da divindade. Logo, a senhora da figura não era outra senão a Mãe de Deus.



Data da aparição
Existe um fato significativo, ligado ao símbolo do sol. E está relacionado com o chamado solstício de inverno. Em todo o hemisfério sul, ocorre em 22 de junho. Por causa da inclinação do eixo da Terra, o Sol atinge o seu máximo de distância do equador. É o início do inverno, e também o dia mais tarde quando o sol nasce e se poe mais tarde. Por essa razão, aliás, é o mais curto dia e a noite mais longa do ano. No hemisfério norte, que fica localizado no México, neste inverno solstício ocorre em 22 de dezembro. Desde tempos imemoriais, os povos pagãos acreditavam que a data como a mais importante do ano, pelo simbolismo do sol que depois de se pôr volta a crescer. Os povos pré-colombianos do México, muito conhecedores da astronomia tinham naquele dia na mais alta consideração religiosa, era o dia em que o sol moribundo recobrava vigor, era o retorno a vida, era o surgimento da luz, a vitoria sobre as trevas.
A aparição de Nossa Senhora de Guadalupe se deu exatamente nessa ocasião. Embora, nesse momento, como registrado em 12 de dezembro (e por respeito pela tradição é a data que se mantém até hoje), foi um erro do calendário Juliano então em vigor, e que foi corrigida mais tarde.
Para reforçar a impressão que causou, ao mesmo tempo o famoso cometa Halley's atingiu o seu Zenit nos céus mexicanos.
Seu manto de estrelas
De acordo com estudos recentes que podem ser comprovadas com precisão admirável, no manto de Nossa Senhora, estão representadas as mais brilhantes estrelas das principais constelações visíveis no Vale de Anahuac -atual cidade do México- no dia da aparição. Foi mais uma prova aos índios que a senhora vinha do céu.
A flor de Quatro Pétalas
Se tivermos um olhar para o manto de Nossa Senhora, abaixo da cintura deve ver uma pequena flor de quatro pétalas. Esta flor é Nahui-Hollín, de grande importância na perspectiva indígena do universo. Ela representa a antiga cidade de Tenochtitlán, a capital asteca, e em particular a colina do Tepeyac, onde se deu a aparição de Nossa Senhora. Também representadas, a plenitude da presença de Deus. Era outra indicação, que a senhora com o manto de estrelas, levava em seu puríssimo seio o Deus único e verdadeiro.

O resto das flores e figuras impressas em suas vestes não estão colocadas ali ao acaso. Correspondem às diferenças geográficas do México, que os indígenas interpretavam à perfeição.
O cabelo
Nossa Senhora traz o cabelo solto que entre todos os Astecas era um sinal de virgindade. Portanto, a mostra de que a senhora é virgem e mãe.
O Rosto
Por fim, Nossa Senhora quis mostrar-se com traços mestiços, rosto moreno e ovalado, dizendo que ela quer ser a mãe amorosa de todos os habitantes da América.
Muitos outros símbolos podem ser vistos na extraordinária figura de Nossa Senhora de Guadalupe, e nenhuma delas é aleatória, porque tudo isso está em um altíssimo nível de Sabedoria. Por outro lado, existe uma infinidade de belezas que a virgem oculta, que a ciência com todos os seus avanços tecnológicos não conseguem explicar. Por exemplo, o fenômeno das pupilas, na qual se distinguem com lupa minúsculas figuras humanas. A durabilidade inexplicável do rude manto, nem mesmo o acido sulfúrico caído por acidente conseguiu destruir.
O modo misterioso que foi impressa a figura de nossa Senhora e outros aspectos que proximamente abordaremos. São as maravilhas da "Sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus" como ela mesma se definiu quando falou pela primeira vez com São Juan Diego.

 Colaboração Ir. Nilza do Carmo

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Como foi a infância de Nossa Senhora?



A Santíssima Virgem, por obra da Misericórdia e do Poder de Deus, foi gerada no ventre de sua mãe Sant'Ana, sem a mancha do pecado original. Depois dos meses de gestação, Sant'Ana deu à luz Àquela que é a Aurora da humanidade. Em Maria repousa a dignidade de como seria a humanidade sem o pecado original. Santíssima desde a sua concepção, Ela foi preparada desde o ventre materno, pois Deus que a escolheu para ser a Mãe de seu Filho, e a amou desde toda a eternidade! E este Amor de Deus, Nossa Senhora o sentiu em seu coração e em sua alma, desde o momento em que Ela começou a fazer uso da razão. E embora fosse alguém tão especial, tão amada por Deus, Nossa Senhora cresceu como uma menina comum de seu tempo.

 Um dia, chegada a idade e a estatura necessárias, começou por ajudar sua mãe nas tarefas domésticas do lar: limpava a casa, ajudava sua mãe no preparo dos alimentos, caminhava até o poço de Nazaré para buscar água, ajudava seu pai São Joaquim naquilo que ele lhe pedia. Brincava também com as crianças que cresceram com ela, deveria ter algumas meninas com quem tinha mais afinidade, afinal, Nossa Senhora crescera numa cidade, Nazaré, aonde viviam muitos de seus parentes e familiares. Aos sábados, a santa família se dirigia até a sinagoga para ouvir a Palavra de Deus e rezar em comunidade, elevando a Deus os salmos festivos. Embora, exteriormente, Maria em nada se diferenciasse das outras crianças de seu tempo, interiormente, a graça de Deus operava de modo silencioso em Maria.

 Quando ouvia a Palavra de Deus, porque era Santíssima, a compreensão da Virgem, era imensamente superior à das outras pessoas. Ela guardava a Palavra de Deus em seu Coração e a meditava constantemente. Embora ajudasse seus pais nas tarefas próprias de um menina de sua idade, e separasse um tempo para brincar com as outras crianças, o que Nossa Senhora mais estimava era o tempo dedicado à oração, pois nestes momentos de oração familiar ou silenciosa, Ela penetrava mais profundamente nos mistérios de Deus. E Nossa Senhora ascendeu espiritualmente como nenhum outro ser humano fizera antes dela. E no seu jovem Coração, cheio da graça, do amor e da benevolência de Deus, Ela foi pouco a pouco, descobrindo aquilo que Deus desejava dela. E diante da Vontade de Deus, seu jovem Coração foi se abrindo cada vez mais, num desabrochar que alcançaria a sua plenitude na Maternidade de seu Filho!

 Que a Santíssima Virgem nos ajude nos dias em que vivemos! Que Nossa Senhora possa interceder pelos jovens de nosso tempo, a fim de que seus corações possam se abrir também, cada vez mais, à Palavra de Deus!

Foto de Luiz Carlos Junior.

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Conceptio Immaculata B.M.V. 08 de dezembro

08 de dezembro: a Imaculada Conceição de Maria


Deus desejando criar a Mãe de seu Filho num estado de santidade o mais perfeito ao qual tivesse sido elevada uma criatura, deita atenção nela no próprio momento em que ela é concebida e, por um privilégio especial, a preserva da malignidade da carne e do crime original.

Assim, desde sua conceição Maria constitui para as pessoas da Santíssima Trindade, a primeira causa sólida que tenham percebido no mundo, o único objeto de sua amorosa complacência desde Adão, pois que todas as demais criaturas estavam manchadas pelo pecado, e somente ela apareceu sem ofensa nenhuma.
Com efeito, segundo nos indica a fé, somente a Santíssima Virgem, nascendo de Adão pela via comum, não foi incluída na maldição em que tinha incorrido, pois que Nosso Senhor não estava incluído no número dos que nascem de Adão segundo a geração habitual, nascendo por operação do Espírito Santo, e devendo sua concepção ao mesmo Espírito que regenera as almas pelo batismo.

A corrupção de Adão, comunicada à alma pelo corpo, assim que se une a este constitui num certo veneno espalhado em todos os nossos membros, que nos faz tender e solicitar o pecado, afastando-nos de Deus e dedicando-nos ao amor de nós mesmos.

No momento da concepção de Maria, Deus a preservou desta malignidade. Santificou sua carne, a fim de que os seus sentidos e todos os seus movimentos ou paixões tendessem para só Deus e somente vissem a Ele em todas as coisas. Em virtude desta santificação, seu ódio terá como objeto todo pecado; seus desejos, a glória de Deus; seu temor, tudo que possa desagradar a Deus e contradizer seus desígnios; sua alegria, possuir Deus e vê-Lo honrado; sua esperança, poder ver-se um dia plenamente consumida em sua glória.
Mas, além de ser preservada do crime original, Maria foi repleta do Espírito Santo e de suas graças, desde o primeiro instante de sua concepção. E quem mais, além de Deus, pode compreender a extensão das perfeições das quais foi ela então objeto?

Se, por ocasião da criação de Adão, destinado a pertencer a Deus na qualidade de simples servidor, as três Pessoas Divinas disseram: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, o que não terão dito Elas e que conselho não terão entretido para produzir esta obra admirável, que ia lhes pertencer como a coisa mais cara, mais amável, a mais tenra que Deus pudesse ter fora de si mesmo?

Tudo que tinha sido distribuído e propagado até agora nas almas dos justos ela o conteve sozinha; e não somente as perfeições destas mulheres fortes e santas que a tinham prefigurada, mas ainda as de todos os santos.
Neste instante Deus reuniu e encerrou nela todas as perfeições que Ele tinha disseminado na alma dos justos da Antiga Lei; ou melhor, ela sozinha teve mais o espírito de Jesus Cristo do que o tinham possuído todos os sacerdotes, os patriarcas, os juízes, os profetas, os reis, todos os santos do Antigo Testamento e os justos da gentilidade conjuntamente.

A concepção de Maria é o renascimento universal de Jesus Cristo, que renova todos os nascimentos anteriores nos quais tinha se mostrado sob o aspecto da justiça, de sua força, sua piedade, sua doçura, sua luz, e sob todas as suas outras perfeições, durante quatro mil anos.


Com efeito, quantas natividades do Verbo encarnado estão encerradas e renovadas nesta daqui!? Assim é que no dia da festa da Imaculada Conceição, é lido o Evangelho dos patriarcas e dos ancestrais de Jesus Cristo, no fim do qual a Santíssima Virgem é citada como tendo contido nela sozinha na qualidade de Mãe do Salvador, todas as suas perfeições e todas as suas graças.
Ora, desde o primeiro instante da conceição de Maria, este mesmo Espírito derramou nela só e comunicava-lhe mais graças do que nunca possuiriam todas as almas entre as mais perfeitas e as mais eminentes reunidas.
As luzes que Deus lhe concede não são compreensíveis às demais simples criaturas. Ela vê a Deus considerado em Si mesmo, mais claramente do que o viram os anjos no momento de sua formação, ainda no momento da prova. Vê-o mais perfeitamente nas obras da criação do que jamais o tenham visto Adão no estado de inocência, ou ainda Salomão no auge de suas luzes divinas. Vê a Deus mais claramente na trindade de suas Pessoas, na geração de seu Verbo, na processão de seu Espírito, nos mistérios de Jesus Cristo e de sua Igreja, do que nunca o tenham visto Abraão, Davi e os demais profetas em todas as suas visões, mais perfeitamente finalmente do que o verão os apóstolos e os maiores santos da Igreja, nem os mais célebres doutores que haverá jamais.
Por fim, ela contém em si, sozinha, todos os vários graus de amor de Deus espalhados pelos anjos e ainda mais, incomparavelmente mais, do que haja nos serafins e em todas as hierarquias; o que fez São Gabriel afirmar mais tarde, falando à divina Maria, que ela era cheia de graças: Ave Maria, gratia plena. Os rios adentram pelo mar e este não transborda; assim também todas as graças dos santos adentram em Maria sem que ela transborde, tão vasta é sua capacidade de assimilação.

É coisa admirável, sem dúvida, ver um Deus infinitamente sábio e infinitamente poderoso comprazer-se tão fortemente numa criatura e aí ter as suas delícias. Mas esta é a obra prima de seu amor; trata-se do que Deus conseguiu fazer de mais perfeito numa pura criatura, tendo reunido nela tudo que Ele pôde colocar num ser que não fosse Divino, como seu Filho.
Vendo tal magnificência e tal santidade na alma de Maria, é bem cômodo imaginar que Deus a tenha preparado para fazer nascer dela seu Filho único e com Ele a Igreja em toda a sua extensão. Sim, pois se Ele se compraz tanto nesta alma, é porque abrange nela sua Igreja toda inteira.
Vie intérieure de la Très-Sainte Vierge. Coletânea dos escritos do Pe. Olier de Vaudreuil (1608-1657) ; Fundador da Congregação dos Padres de Saint-Sulpice, França.
Editions Saint Remi, 2012 Cadillac, França. Cap. II, pp. 29-35 (Resumo e tradução por Guy Gabriel de Ridder).

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Edith Stein e o segredo do Natal

Uma reflexão natalina da filósofa judia que se converteu ao cristianismo e morreu mártir


edith stein - pt
          
 
              
No recolhimento da abadia beneditina de Beuron, em 1932, três anos antes de entrar no carmelo, Edith Stein escreveu uma riquíssima meditação teológica sobre o Natal. O texto, pronunciado numa conferência da Associação de Acadêmicos Católicos de Ludwigshafen, na Renânia-Palatinado, Alemanha, foi publicado pela primeira vez em 1950, em Colônia.

Filósofa, judia, ateia, convertida, religiosa e mártir, essa mulher especial começa a meditação não com uma citação erudita, como quem se esforçasse por captar as atenções, e sim com uma reflexão que surpreende pela simplicidade; pela simplicidade de quem tem o olhar inclusivo da fenomenologia. Edith Stein destaca que o fascínio do Natal atinge a todos, mesmo os que pertencem a outras religiões e os não crentes, para quem a antiga história do Menino de Belém não diz nada.

Nas semanas anteriores ao dia de Natal, "uma cálida corrente de amor inunda toda a terra", porque "todos preparam a festa e tentam irradiar um raio de alegria". É sempre apreciável o gesto de procurar e dar alegria, de preparar e de preparar-se para uma festa: são gestos estruturalmente humanos. Para o cristão, porém, especialmente para os cristãos católicos, a estrela que leva até a manjedoura é diferente. O coração de quem vive com a Igreja, desde o repicar do Rorate Coeli até os cantos do Advento, começa a bater em uníssono com a sagrada liturgia que emoldura um momento único: o tempo de uma espera que é também ardente nostalgia. Uma espera-nostalgia que cresce durante o Advento e encontra satisfação somente quando os sinos da Missa do Galo anunciam que "o Verbo se fez carne". Com este anúncio, vemo-nos sempre diante do fascínio do Menino na manjedoura, que estende as mãos e parece já dizer, sorrindo, o que mais tarde os seus lábios de Mestre repetirão até o último suspiro na cruz: "Segue-me".

Atenção: a Luz da estrela e o encanto do Menino na manjedoura duram um piscar de olhos. "À luz descida do céu, opõe-se, ainda mais escura, a noite do pecado". Diante do Menino, ao mesmo tempo, os espíritos se dividem em "contra" e "a favor". Diante do "segue-me", quem não é por Ele é contra Ele. Não por acaso, no dia depois do Natal, enquanto ainda ecoam os sons festivos dos sinos da noite e das festivas liturgias natalinas, a Igreja se desveste do branco de festa e se reveste do vermelho do sangue, e, no quarto dia, já usa o roxo do luto para recordar o primeiro mártir, Estêvão, e as crianças inocentes que foram mortas por Herodes. O que isto significa? Onde foi parar o encanto do Menino na manjedoura? Onde está o bem-aventurado silêncio da noite santa?
O mistério da noite de Natal, escreve Edith Stein, carrega uma verdade grave e séria que o encanto da manjedoura não deve encobrir aos nossos olhos: "O mistério da encarnação e o mistério do mal estão intimamente unidos". A alegria do Menino e das figuras luminosas que se ajoelham em torno da manjedoura, das crianças inocentes, dos pastores esperançosos, dos reis humildes, dos mártires, dos discípulos, dos homens de boa vontade que seguem o chamado do Senhor, essa alegria, enfim, caminha de mãos dadas com a constatação de que nem todos os homens são de boa vontade; de que a paz não alcança "os filhos das trevas"; de que, para esses, o Príncipe da Paz "traz a espada"; de que, para esses, Ele é a "pedra de tropeço" que os derruba. Aquele Menino divide e separa, porque, enquanto o contemplamos, Ele nos impõe uma escolha: "Segue- me". Ele a impõe a nós também, hoje, e nos coloca diante da decisão entre a luz e a escuridão. As mãos do Menino "dão e exigem ao mesmo tempo".

Se colocarmos as nossas mãos nas do Menino Deus e respondermos "sim" ao seu "Segue-me", o que recebemos?
"Oh, maravilhoso intercâmbio! O Criador da humanidade nos dá, assumindo um corpo, a sua divindade!". Aqui reside a grandeza do mistério da Encarnação: quem escolhe a luz, quem fica do lado do Menino, "abre caminho para que a sua vida divina se derrame sobre nós" e traz "de forma invisível o Reino de Deus dentro de si". O Natal é o começo da aventura de deixar a graça "permear de vida divina toda a vida humana". Por que Deus se fez homem? Deus se tornou um filho do homem para que os homens se tornem filhos de Deus. Escreve Edith Stein: "Um de nós tinha rasgado o vínculo da filiação divina; um de nós tinha que reatá-lo e pagar pelo pecado. Mas nenhum descendente da antiga progênie, doente e bastarda, tinha condições de fazê-lo. Era preciso enxertar-lhe um ramo novo, saudável e nobre". Estas palavras de Edith Stein evocam, por analogia óbvia, uma passagem do "Cur Deus Homo", de Santo Anselmo, que contém a mesma lógica da redenção: "a restauração da natureza humana não teria acontecido se o homem não tivesse pagado a Deus o que lhe devia pelo pecado. Mas a dívida era tão grande que a satisfação, de obrigação apenas do homem, mas possível somente a Deus, precisava ser dada por um homem-Deus" (CDH 2,6).
Edith Stein tinha aprendido, na escola dos professores do carmelo, Teresa de Ávila e João da Cruz em particular, que a graça se desenvolve em nós como uma semente que nos transforma, deixando-nos participar da própria vida de Deus. Por esta razão, a meditação seguinte insiste nos sinais fundamentais de uma vida humana unida a Deus.

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

domingo, 29 de novembro de 2015

ADVENTO

“Rorate Caeli”, o mais sublime canto gregoriano de preparação para o Natal

Conheça essa composição  da expectativa pelo Salvador, inspirado por profetas e patriarcas




           

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Estamos no Advento, o tempo litúrgico em que nos preparamos para a vinda do Salvador. A liturgia da Igreja oferece uma vasta gama de recursos para nos ajudar nessa preparação, incluindo, entre eles, o precioso tesouro do canto gregoriano.

O "Rorate Caeli" é considerado uma das mais belas e sublimes composições não só do Advento, mas de todo o repertório litúrgico da história do cristianismo. Seu refrão vem do livro do profeta Isaías (45, 8), em que se suplica: "Que os céus, das alturas, derramem o seu orvalho; que as nuvens façam chover a vitória; abra-se a terra e brote a felicidade e, ao mesmo tempo, ela faça germinar a justiça! Sou eu, o Senhor, a causa de tudo isso".

Inspirado pelos clamores do Antigo Testamento para que Deus nos resgatasse e nos mandasse o Messias, o "Rorate Caeli" representa magistralmente o espírito de súplica e expectativa do Advento.
 
Confiram logo abaixo o texto original em latim, acompanhado da tradução em português.
RORATE CAELI

Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum
(
Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)
 
Ne irascáris Dómine, ne ultra memíneris iniquitátis
Ecce cívitas Sancti facta est desérta
Sion desérta facta est, Jerúsalem desoláta est.
Domus sanctificatiónis tuae et gloriae tuae
Ubi laudavérunt Te patres nostri.
(Não vos ireis, Senhor, nem vos lembreis da iniquidade.
Eis que a cidade do Santuário ficou deserta:
Sião tornou-se deserta; Jerusalém está desolada.
A casa da vossa santificação e da vossa glória,
Onde os nossos pais vos louvaram)


Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

Peccávimus et facti sumus tamquam immúndus nos,
Et cecídimus quasi fólium univérsi
Et iniquitátes nostrae quasi ventus abstulérunt nos
Abscondísti fáciem tuam a nobis
Et allisísti nos in mánu iniquitátis nostrae.
(Pecamos e nos tornamos como os imundos,
E caímos, todos, como folhas.
E as nossas iniquidades, como um vento, nos dispersaram.
Escondestes de nós o vosso rosto
E nos esmagastes pela mão das nossas iniquidades)


Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

Víde, Dómine, afflictiónem pópuli tui
Et mitte quem missúrus es
Emítte Agnum dominatórem terrae
De pétra desérti ad montem fíliae Sion
Ut áuferat ipse jugum captivitátis nostrae.
(Olhai, ó Senhor, para a aflição do vosso povo,
E enviai Aquele que estais para enviar!
Enviai o Cordeiro dominador da terra
Do Deserto de Petra ao monte dos filhos de Sião
Para que Ele retire o jugo do nosso cativeiro)


Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.
(Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

Consolámini, consolámini, pópule meus
Cito véniet salus tua
Quare moeróre consúmeris, quia innovávit te dolor?
Salvábo te, noli timére
Ego énim sum Dóminus Deus túus Sánctus Israël, Redémptor túus.
(Consola-te, consola-te, povo meu,
Em breve há de vir a tua salvação!
Por que te consomes na tristeza, se a dor te renovou?
Eu te salvarei, não tenhas medo!
Porque Eu sou o Senhor, teu Deus,
o Santo de Israel, o teu Redentor)


Rorate Caeli desúper et nubes plúant justum.

( Derramai, ó céus, o vosso orvalho do alto, e as nuvens chovam o Justo)

 Fonte: Aleteia

Colaboração Irmã Nilza do Carmo