domingo, 14 de agosto de 2016

15 de Agosto Assunção de Nossa Senhora

A festa da Assunção nos convida a meditar sobre a glória inefável
da  Virgem Maria,  o Paraíso de Deus.

Quanto mais o homem procura aprofundar-se no conhecimento de Deus, mais compreende que não conseguirá abarcá-Lo, tais as grandezas e os mistérios com os quais se depara.
Assunção de Maria..jpg
A glorificação da Virgem Maria com São João Evangelista,
Santo Agostinho, São João Crisóstomo e São Gregório Magno
mosaico de Carlo Maratta, século XVIII,
Basílica de São Carlos al Corso, Roma


O Criador, que estabelece as regras, se apraz em criar magníficas exceções. Três criaturas não podiam ser criadas em grau mais excelente, ensina-nos a Teologia. A primeira delas é Jesus Cristo, Homem-Deus: impossível ser mais perfeito, nada haveria a acrescentar. A segunda, Maria: "quase divina", é a expressão utilizada por vários teólogos para se referir à Mãe do Redentor. E, por fim, a visão beatífica, o Céu: o prêmio reservado aos justos não poderia ser melhor nem maior. É o próprio Deus que Se dá aos Bem-aventurados! 
Por que morreu a Mãe da Vida?
Em Maria Santíssima está a plenitude de graças e de perfeições possíveis a uma mera criatura. Segundo a bela expressão de Santo Antonino, "Deus reuniu todas as águas e chamou-as mar, reuniu todas as suas graças e chamou-as Maria". Desde toda a eternidade, o decreto divino estabelecia o singularíssimo privilégio de ser a Virgem Santíssima concebida livre da mancha original. Privilégio este próprio Àquela que geraria em seu seio o próprio Deus.
Transcorrida sua vida nesta terra, o que aconteceria com nossa Mãe?
Ela, que havia dado à luz, alimentado e protegido o Menino-Deus, e recebido em seus braços virginais o Corpo dilacerado de seu Filho e Redentor, estava prestes a exalar o último suspiro. Como poderia passar pelo transe da morte aquela Virgem Imaculada, nunca tocada pela mais leve sombra de qualquer falta?
Sem embargo, como o suave declinar do sol num magnífico entardecer, a Mãe da Vida rendia sua alma. Por que morria Maria? Tendo Ela participado de todas as dores da Paixão de Jesus, não quis deixar de passar pela morte, para em tudo imitar seu Deus e Senhor.
De que morreu Maria?
Perfeitíssima era a natureza da Virgem Maria. Com efeito, afirma Tertuliano que "se Deus empregou tanto cuidado ao formar o corpo de Adão, pela razão de seu pensamento voar até Cristo, que deveria nascer dele, quanto maior cuidado não terá tido ao formar o corpo de Maria, da qual devia nascer, não de modo remoto e mediato, mas de modo próximo e imediato, o Verbo Encarnado?" (1)
Ademais, escreveu Santo Antonino, "a nobreza do corpo aumenta e se intensifica em proporção com a maior nobreza da alma, com a qual está unido e pela qual é informado. E é racional, pois a matéria e a forma são proporcionadas uma à outra. Sendo, portanto, que a alma da Virgem foi a mais nobre, depois da do Redentor, é lógico concluir-se que também seu corpo foi o mais nobre, depois do de seu Filho" (2).
À alma santíssima de Maria, concebida sem pecado original e cheia de graça desde o primeiro instante de sua existência, correspondia, portanto, um organismo humano perfeitíssimo, sem o menor desequilíbrio.
Em conseqüência de sua virginal natureza, Nossa Senhora foi imune a qualquer doença, e jamais esteve sujeita à degenerescência do corpo causada pela idade. De que morreu, pois, a Mãe de Deus?
O termo da existência terrena de Maria deveu-se à "força do divino amor e ao veemente desejo de contemplação das coisas celestiais, que consumiam seu coração" (3). A Santíssima Virgem morreu de amor! São Francisco de Sales assim descreve esse sublime acontecimento:
"Quão ativo e poderoso (...) é o amor divino! Nada de estranho se vos digo que Nossa Senhora dele morreu, pois, levando sempre em seu coração as chagas do Filho, padecia- as sem consumir-se, mas finalmente morreu pelo ímpeto da dor. Sofria sem morrer, porém, por fim, morreu sem sofrer. "Oh, paixão de amor!
Oh, amor de paixão! Se seu Filho estava no Céu, seu coração já não estava n'Ela. Estava naquele corpo que amava tanto, ossos de seus ossos, carne de sua carne, e ao Céu voava aquela águia santa. Seu coração, sua alma, sua vida, tudo estava no Céu: por que haviam de ficar aqui na terra?
"Finalmente, após tantos vôos espirituais, tantos arrebatamentos e tantos êxtases, aquele castelo santo de pureza e humildade rendeu-se ao último assalto do amor, depois de haver resistido a tantos. O amor A venceu, e consigo levou sua benditíssima alma" (4).
Essa morte de Maria, suave e bendita como um lindo entardecer, a Igreja designa pelo sugestivo nome de "dormição", para significar que seu corpo não sofreu a corrupção.
Cheia de graça e cheia de glória
Quanto durou a permanência do puríssimo corpo de Maria no sepulcro?
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Assunção de Maria - Basílica de São Paulo Extramuros - Roma
Não o sabemos. Mas, segundo a tradição, muito pouco tempo esteve a alma separada de seu corpo. E, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, afirma o Papa Pio XII: "Por um privilégio inteiramentesingular, Ela venceu o pecado com sua Conceição Imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até o fim dos tempos" .
Assim, resplandecente de glória, a alma santíssima de Nossa Senhora reassumiu seu virginal corpo, tornando-o completamente espiritualizado, luminoso, sutil, ágil e impassível.
E Maria - que quer dizer "Senhora de Luz" - elevou-se em corpo e alma ao Céu, enquanto as incontáveis legiões das milícias angélicas exclamavam maravilhadas ao contemplar sua Soberana cruzando os umbrais eternos: "Quem é esta que surge triunfante como a aurora esplendorosa, bela como a lua, refulgente e invencível como o sol que sobe no firmamento e terrível como um exército em ordem de batalha?" (5).
E ouviu-se uma grande voz que dizia: "Eis aqui o tabernáculo de Deus" (Ap 21, 3). A Filha bem-amada do Pai, a Mãe virginal do Verbo, a Esposa puríssima do Espírito Santo foi coroada, então, pelas Três Divinas Pessoas para reinar no universo, pelos séculos dos séculos, "à direita do Rei" (Sl 44, 10).
O dogma
A verdade desta glorificação única e completa da Santíssima Virgem foi definida solenemente como dogma de Fé pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, com estas belas palavras:

"Depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a luz do Espírito de verdade, para a glória de Deus onipotente que à Virgem Maria concedeu sua especial benevolência, para a honra de seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória de sua augusta Mãe e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo e com a Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos que: A Imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial"

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Santa Filomena - 10 de agosto

História de Santa Filomena



Origem

O nome Filomena significa "filha da luz divina". Santa Filomena faz jus a este nome. Era filha de um importante casal grego, seu pai foi um dos Reis da Grécia.

Seus pais não conseguiam engravidar

Sua mãe não podia engravidar. Eles faziam todo tipo de orações e holocaustos para os falsos deuses gregos, sem nada conseguir. Um dia, conversando com um novo médico, que era Cristão, falaram de sua angustia. O médico, com muita fé e depois de muita oração, disse-lhes para se converterem ao cristianismo, mudarem de vida, pois seriam presenteados com um milagre de Deus. O casal obedeceu.

Nasce Filomena

No ano seguinte eles tiveram uma linda filha, a quem deram o nome de Lumena, luz. Quando foram batizá-la, deram-lhe o nome de Filomena, filha da luz divina. Ela trouxe luz para a fé dos dois.

Santidade precoce

Aos 5 anos comungava pela primeira vez, e desde esse dia aumentava mais e mais a sua fé em Jesus Cristo, tanto que aos 11 anos fez votos de total entrega a Deus.

Guerra com Roma

A Grécia foi ameaçada pelo Imperador romano Dioclesiano. Então o Rei, pai de Santa Filomena, foi a Roma negociar. Ao ser recebido pelo Imperador, estava com sua mulher e sua filha Filomena. O Imperador se encantou com a beleza da menina e propôs a paz entre os dois países e ofereceu vantagens políticas se o Rei da Grécia lhe concedesse a mão de sua filha em casamento. O Rei aliviado concordou.

Revelação

Na volta para a Grécia, Santa Filomena, aos prantos, revelou os votos que tinha feito. Seus pais, com profunda tristeza, tentaram convencê-la a mudar de opinião, pois o Imperador iria matá-la se o casamento não se realizasse. Ela, porém, não cedeu.

Torturas

O Imperador sabendo da recusa de Filomena, ordenou que seu pai a levasse em Roma, pois considerou uma desonra para o império a recusa da Santa. Dioclesiano tentou de todas as maneiras fazer com que ela mudasse de opinião, mas como ela não cedeu. Então, ele mandou que a prendessem e torturassem. Foi muitas vezes à sua cela tentar dissuadi-la, sem resultado. Mandou, então, aumentar as torturas.

Visão de Nossa Senhora e o Menino Jesus

Após mais de um mês de torturas e sofrimentos no cárcere, enfraquecida, Santa Filomena um dia teve a visão de Nossa Senhora com o Menino Jesus em seu colo que lhe disse:
"Minha filha, tu me és mais querida acima de todas, porque trazes o meu nome e o do meu Filho. Tu te chamas Lumena. Meu Filho, teu Esposo, chama-se Luz, Estrela, Sol. E eu me chamo Aurora, Estrela, Luz, Sol. Serei o teu amparo. Agora é o momento transitório da fraqueza e da humilhação humanas; quando chegar, porém, a hora extrema do teu julgamento,  da tua decisão ante os horríveis tormentos que te serão impostos, receberás a graça da divina força. Além do teu Anjo da Guarda, terás a teu lado o Arcanjo São Gabriel, cujo nome significa "a Força do Senhor". Quando eu estava na terra era ele o meu protetor. Mandá-lo-ei agora àquela que é a minha mais querida filha."

Novo milagre

O Imperador lhe fez um último pedido. Ela recusou. Então, ele mandou açoitá-la em praça pública, e joga-la num calabouço, pior que sua cela. Foi quando dois Anjos do Senhor apareceram, colocaram remédios sobre seu corpo dilacerado e ela milagrosamente ficou curada.

Castigo maior

Diocleciano mandou chamá-la dizendo que fora o deus Júpiter que a tinha curado para que ela se tornasse a Imperatriz de Roma. Santa Filomena respondeu dizendo que os deuses pagãos de Roma eram apenas estátuas, e que o Imperador deveria se converter ao verdadeiro Deus e Senhor de tudo, pois um dia estaria na presença Dele para responder por todos os pecados cometidos em Roma. O Imperador ficou furioso, mandou amarrarem uma ancora no pescoço de Santa Filomena e a atirassem no rio Tigre.

Salva por anjos

Uma multidão foi para a beira do rio para assistir a morte da Santa, mas, novamente os dois anjos do Senhor apareceram, desamarraram a ancora de seu pescoço, e sem que ela se molhasse, a levaram para a outra margem do rio. Muitos romanos se converteram neste dia.
O Imperador mandou que ela fosse arrastada por toda a cidade e a matassem com uma flecha. Jogada no calabouço para morrer os anjos do Senhor novamente a curaram. O Imperador então mandou fazer uma grande fogueira, mas o fogo não lhe fez mal algum. Mandou então os soldados lançarem flechas sem parar até que ela morresse. As flechas se voltaram contra os soldados, matando todos eles.

A morte de Santa Filomena

Após todas as tentativas contra a vida da Santa, Jesus então permitiu que sua vida fosse tirada, para que ela entrasse definitivamente no Reino do Céu. Mas antes disso milhares de romanos abandonaram seus deuses e se converteram ao cristianismo. O Imperador mandou que ela fosse decapitada. E ela, em oração, morreu. Era o dia 10 de agosto.

Descoberta do tumulo de Santa Filomena

Nas escavações das catacumbas romanas, no ano de 1802, foi descoberto um tumulo com as seguintes inscrições: "A Paz seja contigo Filomena". Junto, uma âncora, uma palma (símbolo do martírio), uma flecha e uma ânfora com um liquido dentro (sangue).
O padre Francisco de Lucia, da cidade de Mugnano de La Cardinale, muito doente, rezou a Santa Filomena, prometendo que se ficasse curado, levaria suas relíquias para sua igreja. Com grande alegria ficou milagrosamente curado e foi pedir para o Papa Pio VII para levar as relíquias da Santa para Mugnano. Sendo permitido pelo Papa, levaram com todas as honras e pompas todas as relíquias da Santa.

Muitos milagres

Chegando à cidade, vários milagres começaram a acontecer. Todos vinham ver e rezar. Santa Filomena ficou conhecida em toda a Europa. Seus milagres e sua história são contados em todos ao lugares até os dias atuais.

Santos devotos

Vários Santos e Papas se tornaram devotos de Santa Filomena, como São João Maria Vianei, o Cura D’ars, Santa Madalena Sofia, São Pedro Eymard, São Pedro Chanel, o Papa Pio IX, o Papa Pio X, o Papa Leão XIII e a Venerável Pauline Jaricot. Esta, pediu ao Papa Gregório XVI que realizasse a Canonização de Santa Filomena. O papa a proclamou Santa e Padroeira do Rosário vivo e Padroeira dos Filhos de Maria.
Sua relíquias ainda estão na igreja de Mugnano, na Itália.

Oração a Santa Filomena

"Ó gloriosa Virgem e Mártir Santa Filomena, que do Céu onde reinais vos comprazeis em fazer cair sobre a Terra benefícios sem conta, eis-me aqui prostrado a vossos pés para implorar-vos socorro para minhas necessidades que tanto me afligem, vós que sois tão poderosa, junto a Jesus, como provam os inumeráveis prodígios que se operam por toda parte onde sois invocada e honrada. Alegro-me ao ver-vos tão grande, tão pura, tão santa, tão gloriosamente recompensada no céu e na terra. Atraído por vossos exemplos à prática de sólidas virtudes e cheio de esperança à vista das recompensas concedidas aos vossos merecimentos, eu me proponho de vos imitar pela fuga do pecado e pelo perfeito cumprimento dos mandamentos do Senhor. Ajudai-me, pois, ó grande e poderosa Santinha, nesta hora tão angustiante em que me encontro, alcançando-me a graça … e sobretudo uma pureza inviolável, uma fortaleza capaz de resistir a todas as tentações, uma generosidade de que não recuse a Deus nenhum sacrifício e um amor forte como a morte pela fé em Jesus Cristo, uma grande devoção e amor a Maria Santíssima e ao Santo Padre, e ainda a graça de viver santamente a fé para um dia estar contigo no céu por toda a eternidade. Santa Filomena, rogai por nós. Amém."

Pai-Nosso… Ave-Maria… Glória…

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

FESTA DA TRANSFIGURAÇÃO DO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO - 06 DE AGOSTO


Transfiguração de Cristo
A festa da "Transfiguração do Senhor" acontece no mundo cristão desde o século V. Ela nos convida a dirigir o olhar para o rosto do Filho de Deus, como o fizeram os apóstolos Pedro, Tiago e João, que viram a Sua transfiguração no alto do monte Tabor, localizado no coração da Galiléia. O episódio bíblico é relatado distintamente pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas. 

Assim, segundo São Mateus 9,2-10, temos: "Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus. Pedro tomou a palavra: "Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias". Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: "Este é o meu Filho muito amado; ouvi-O". E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos. E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: Ser ressuscitado dentre os mortos".

A intenção de Jesus era a de fortalecer a fé destes três apóstolos, para que suportassem o terrível desfecho de Sua paixão, antecipando-lhes o esplendor e glória da vida eterna. Também foi Pedro, que depois, recordando com emoção o evento, nos afirmou: "Fomos testemunhas oculares da Sua majestade" (2 Pd 1, 16).


Somente em 1457, esta celebração se estendeu para toda a cristandade, por determinação do Papa Calisto III, que quis enaltecer a vitória, do ano anterior, das tropas cristãs sobre os turcos muçulmanos que ameaçavam a liberdade na Europa.
  (Catolicismo Romano)

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

terça-feira, 19 de julho de 2016

S. Eliae Prophetae, Primi Ducis Et Patris Nostri -20 de julho

Elias o primeiro monge, instituiu a vida monástica por inspiração de Deus. Do retiro de Elias no deserto.
Do duplo fim da vida eremítica.

Este Elias, Profeta de Deus, foi o primeiro de todos os monges que têm existido e nele teve princípio a santa e gloriosa  instituição monacal.
Com a ânsia que sentia pela divina contemplação e o veemente desejo de adiantar-se na virtude, se foi para longe das cidades e despojando-se de todos os interesses terrenos e mundanos, se propôs começar a viver a Vida Eremítica, Religiosa e Profética, consagrando-se a ela,como nenhum então, o havia feito. 
Com a inspiração e impulso do Espírito Santo, começou a vive-la e a instituiu.
Aparecendo-lhe o senhor, lhe mandou fugisse dos povoados dos homens e se escondesse das gentes, no deserto e vivesse daí em diante a Vida Monástica, do modo que Ele lhe havia inspirado.
Isto se prova claramente com as palavras da Sagrada Escritura. Referindo-se a isto lemos no Livro dos Reis:
"E dirigiu o Senhor a Sua palavra a Elias dizendo: Retira-te daqui e vai para banda do oriente, e esconde-te junto da Torrente de Carit, que está defronte do Jordão. E lá beberás da Torrente; e Eu mandei aos corvos que te sustentem ali mesmo" (1 Reis 17,2-4). O Espírito Santo pôs em Elias um veemente desejo de executar o tão santo e tão conveniente mandato que lhe havia inspirado, e o escolheu e fortaleceu para que pusesse em obras tão desejadas promessas.
Os religiosos Monges Eremitas tanto mais devemos meditar cada uma destas palvras, não só no sentido literal histórico, senão no místico principalmente, e com tanta maior solicitude, quanto que nelas se encerra mais perfeita a Instituição, isto é: o modo de vida para chegar à perfeição profética e ao fim da vida religiosa eremítica.
Esta vida de perfeição religiosa encerra dois fins: um, podemos alcançar com nossos esforços e o exercício das virtudes, ajudados da Divina Graça. Este fim consiste em oferecer a Deus o coração santo e limpo de toda a atual mancha de pecado.
Conseguimos este fim quando somos já perfeitos e estamos em Carit, ou seja: quando nos achamos escondidos naquela caridade da qual disse o Sábio: "A caridade cobre todas as faltas" (Prov X,12).
Mostrando o Senhor a Elias que queria chegasse a este fim da caridade lhe disse: Te esconderás na Torrente de Carit.
O outro fim da vida santa eremítica é dom totalmente gratuíto de Deus e que Ele comunica à alma. Consiste em que, não só depois da morte, senão ainda nesta vida mortal, possa saborear no afeto do amor e no gozo da luz do entendimento, algo sobrenatural do poder da Presença de Deus e do deleite da Eterna Glória. Isto quer significar beber da torrente da delícia Divina. Deus prometeu este fim a Elias ao dizer-lhe: E aí beberás da Torrente.
Para conseguir estes dois fins há de abraçar o monge a vida profética e eremítica como disse o Profeta: Nesta terra deserta, e sem água, me ponho em Tua presença, como se estivesse no Santuário para contemplar teu poder e tua glória (Sl 62, 2-3).
( De: Institutione Primorum Monacorum)





O Santo Profeta Elias, é considerado o iniciador desse nosso gênero de vida, por isso nós o chamamos de Pai. Este homem de Deus foi suscitado para ser como um fogo, através de seu ardor profético. Contemplativo solitário estava sempre na presença de Deus, conforme dizia: vive o Senhor em cuja presença estou! Deixou o  seu zelo como herança aos profetas que o sucederam, sendo o primeiro, Santo Eliseu. Foi poderoso na oração e amigo de Deus. Arrebatado num turbilhão de fogo, ele nos ensina a buscar as coisas celestes. Como filhas dos profetas, esperamos receber a dupla porção do seu espírito e arder de zelo e de amor pelo Senhor Deus dos exércitos.

Elias é o Profeta solitário que cultiva a sede por seu Único Deus e vive em Sua Presença. É o contemplativo rapitado pela paixão ardente e absoluta por Deus. Cuja Palavra ardia como uma tocha.


O Carmelita aprende de Elias a ser uma alma de deserto, com um coração indiviso e que sempre está ante a Presença de Deus, totalmente dedicado ao serviço de Deus, aquele se comprometeu, se decidiu por Deus e por seus interesses -a salvação das almas- e vive somente desse grande amor.

sábado, 16 de julho de 2016

SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA DO CARMO 16 de Julho




Os primeiros eremitas do Monte Carmelo, local da Terra Santa onde nasceu a Ordem do Carmo, construíram no meio das suas celas uma capela, centro das suas vidas, onde diariamente se reuniam para celebrar em conjunto a Eucaristia. Esta capela dedicaram-na à Bem-Aventurada Virgem Maria. Com este gesto, o primeiro grupo de Carmelitas escolheu-a como Padroeira, comprometendo-se deste modo a estar ao seu serviço e a esperar dela confiadamente a sua proteção. Tinham orgulho em ser chamados de Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo e defenderam este título com toda a energia, quando viram ameaçado o direito de ter este nome.

Maria acolheu a vontade de Deus quando lhe foi pedido para ser a Mãe do Salvador. Maria meditou todos os acontecimentos da sua vida e foi capaz de ver neles a actuação da mão de Deus. Maria não se ensoberbeceu pela sua especialíssima vocação, mas louvou o Senhor por ter olhado para a sua humildade e por nela ter feito grandes coisas. Esteve com Jesus no começo do seu ministério público quando, nas bodas de Caná, informou-o da precária situação: Não têm vinho. Maria assistiu-o na sua morte na cruz e aí tornou-se na Mãe de todos os crentes. No início dos Atos dos Apóstolos encontramos Maria no cenáculo, junto dos outros discípulos, em oração, e esperando a vinda do Espírito Santo. Para todo o Carmelita, Maria está sempre na sua própria vida, guiando-o e protegendo-o no seu obséquio a Jesus Cristo.

Durante muitos séculos o Escapulário do Carmo sintetizou no seu significado a relação dos Carmelitas com a Virgem Maria. O Escapulário constitui uma parte do hábito tradicional vestido pelos religiosos. Trazer o Escapulário é um sinal de consagração a Maria e de aceitação da sua proteção. Na Virgem Maria, os Carmelitas encontram a imagem perfeita de tudo o que eles esperam: entrar numa relação íntima com Cristo, estar totalmente abertos à vontade de Deus e deixar que as suas vidas sejam transformadas pela Palavra de Deus. Os Carmelitas consideraram sempre Maria como a Padroeira da Ordem, e proclamaram-na como Mãe e Formosura do Carmelo. Os Carmelitas vivem em intimidade espiritual com ela, para que possam aprender dela a viver como filhos de Deus. A celebração de Nossa Senhora do Carmo tem lugar a 16 de Julho e é a principal solenidade da Ordem Carmelita.

                                                                                        
                                                                                                             

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DO CARMO


Ó Senhora do Carmo, revestido(a) de vosso Escapulário, eu vos peço que ele seja para mim sinal da vossa maternal proteção, em todas as necessidades, nos perigos e nas aflições da vida. Acompanhai-me com a vossa intercessão, para que eu possa crescer na Fé, Esperança e Caridade, seguindo Jesus e praticando a Sua Palavra. Ajudai-me, ó Mãe querida, para que, levando com devoção o vosso santo Escapulário, mereça a felicidade de morrer piedosamente com ele, na graça de Deus, e assim, alcançar a vida eterna. Amém

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

quinta-feira, 30 de junho de 2016

02 de Julho Festa da Visitação

História de Nossa Senhora da Visitação

   

Origens

A devoção a Nossa Senhora da Visitação originou-se entre os primeiros franciscanos. Trata-se de uma devoção totalmente inspirada no Novo Testamento, mais precisamente no Evangelho de São Lucas 1, 39-56. Quando o anjo Gabriel anunciou a Maria que ela seria a Mãe do Salvador, ele disse que Isabel, prima de Maria, já idosa, estava no sexto mês de gravidez por um milagre de Deus. Por isso, Maria foi às pressas até a região montanhosa da Judéia, à cidade de Aim Karim, para visitar Isabel. Daí o nome de Nossa Senhora da “Visitação”.

O encontro de duas santas

Quando Maria chegou e saudou Isabel, João Batista, a criança no ventre de Isabel, estremeceu no seu seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. (Lc 1, 39-41) Sim. Foi um encontro especial. Maria levava Jesus em seu ventre. Isabel, carregava João Batista. Os dois primos também se encontraram neste momento e o Espírito Santo se fez presente. As palavras que Isabel disse a Maria neste momento, como frisa são Lucas, foram inspiradas pelo Espírito Santo. Por isso, elas se tornaram uma frase da oração rezada milhões de vezes por milhões de pessoas todos os dias: a Ave Maria.

Uma frase da Ave Maria

São Lucas escreve: “Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” (Lc 1, 41-42) Essas palavras de Santa Isabel, inspiradas pelo Espírito Santo, passaram a fazer parte da oração da Ave Maria. É exatamente isso que dizemos quando rezamos: “Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.”

A visitação

Maria visita Isabel primeiramente porque crê nas palavras do Anjo Gabriel. Este, como vimos, afirmou que Isabel estava no sexto mês de gravidez. Em segundo lugar, esta visita, sem dúvida, é uma visita de serviço, de amor, de partilha. Maria precisava partilhar com alguém a maravilha que estava acontecendo em seu ventre: Jesus, o Filho de Deus estava sendo gerado. Mas, com quem partilhar algo tão grande? José, o noivo, ainda não o sabia. E, se não fosse por intervenção divina, não compreenderia. Isabel, porém, compreenderia, porque estava vivendo também um milagre: uma gravidez na velhice. Maria, vivia milagre infinitamente maior, mas sentia que Isabel poderia compreender e ajudar. Tanto que Isabel, tocada por Deus, percebe imediatamente a gravidez de Maria e exclama: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.” (Lc 1, 41) Certamente nos três meses que Maria ficou com Isabel, as duas se ajudaram, conversaram muito e falaram com liberdade sobre as coisas de Deus que aconteciam em suas vidas.

O grande Louvor de Maria na Visitação

Foi na Visitação que Maria entoou seu cântico de gratidão e louvor a Deus chamado de Magnificat, do Latim, que significa “glorifica”. Este é o primeiro verbo usado por Maria no Magnificat: “Minha alma glorifica ao Senhor”. A oração do Magnificat é a oração da Visitação de Nossa Senhora. Por isso, reze-a sempre, lembrando da alegria de Maria e de seu gesto de amor ao visitar sua prima, para servir e partilhar a vida.

Magnificat

E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.
Porque olhou para sua pobre serva.
Por isto, desde agora, todas as gerações me proclamarão bem-aventurada,
Porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
Conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.”
Lc 1, 46-55




Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre, amém.

Colaboração Ir. Nilza do Carmo

segunda-feira, 27 de junho de 2016

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO 29/06


29 de Junho de 2016


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 16, 13-23)

Ao chegar à região de Cesareia de Filipe, Jesus fez a seguinte pergunta aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?» 14Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas.» Perguntou-lhes de novo: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» 16Tomando a palavra, Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo.»
17Jesus disse-lhe em resposta: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu. 18Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Abismo nada poderão contra ela. 19Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu; tudo o que ligares na terra ficará ligado no Céu e tudo o que desligares na terra será desligado no Céu.» 20Depois, ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Messias. 21A partir desse momento, Jesus Cristo começou a fazer ver aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.
22Tomando-o de parte, Pedro começou a repreendê-lo, dizendo: «Deus te livre, Senhor! Isso nunca te há-de acontecer!» 23Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: «Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!»

Uma chave de leitura

O texto litúrgico da Solenidade de São Pedro e São Paulo é tomado do Evangelho de Mateus (Mt 16, 13-19). No comentário que faremos incluímos também os versículos 20-23, porque no conjunto do texto, do versículo 13 ao 23, Jesus voltando-se para Pedro por duas vezes chama-o de “pedra”. Uma vez pedra de fundamento (Mt 16, 18) e outra vez pedra de escândalo (Mt 16, 23). As duas afirmações completam-se mutuamente.

Comentário do texto

Mateus 16, 13-16: As opiniões do povo e dos discípulos acerca de Jesus. Jesus quer saber a opinião do povo acerca da sua pessoa. As respostas são muito variadas: João Baptista, Elias, Jeremias, um dos profetas. Quando Jesus pede a opinião dos próprios discípulos, Pedro em nome de todos diz: “Tu és o Cristo o Filho de Deus vivo!”. Esta resposta de Pedro não é nova. Anteriormente, depois de caminhar sobre as águas, já os próprios discípulos tinham feito uma profissão de fé semelhante: “Verdadeiramente tu és o Filho de Deus! (Mt 14, 33). É o reconhecimento de que em Jesus se realizam as profecias do Antigo Testamento. No Evangelho de João a mesma profissão de fé é feita por Marta: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir a este mundo!” (Jo 11, 27).
Mateus 16, 17: A resposta de Jesus a Pedro: “És feliz, Simão”. Jesus diz que Pedro é “feliz”, porque recebeu uma revelação do Pai. Tampouco aqui a resposta de Jesus é nova. Já antes Jesus tinha feito uma declaração de felicidade aos discípulos porque viam e ouviam coisas que ninguém antes tinha conhecido (Mt 13, 16), e louvou o Pai por ter revelado o Filho aos pequeninos e não aos sábios (Mt 11, 25). Pedro é um dos pequeninos a quem o Pai se revela. A percepção da presença de Deus em Jesus não provém “nem da carne nem do sangue”, ou seja, não é o resultado do estudo, nem é mérito de nenhum esforço humano, mas é dom de Deus que o concede a quem quer.
Mateus 16, 18-20: As qualificações de Pedro: ser pedra de fundamento e receber em posse as chaves do Reino. Ser pedra: Pedro deve ser a pedra, a saber, deve ser o fundamento firme para a Igreja, de modo que possa resistir contra os assaltos das portas do inferno. Com estas palavras de Jesus dirigidas a Pedro, Mateus animava as comunidades da Síria e da Palestina que sofriam e eram perseguidas e que viam em Pedro o chefe que as selara desde o princípio. Apesar de serem débeis e perseguidas, elas tinham um fundamento sólido, garantido pela palavra de Jesus. Naquele tempo as comunidades cultivavam uma estreita e muito forte relação afetiva com os chefes que estiveram na sua origem. Assim as comunidades da Síria e da Palestina cultivavam a sua relação com a pessoa de Pedro. As da Grécia com a pessoa de Paulo. Algumas comunidades da Ásia com a pessoa do Discípulo Amado e outras com a pessoa de João do Apocalipse. Uma identificação com estes chefes que as originaram ajudavam-nas a cultivar melhor a própria identidade e espiritualidade. Mas também podia ser motivo de conflito, como no caso da comunidade de Corinto (1Cor 1, 11-12). Ser pedra como fundamento da fé evoca a Palavra de Deus dirigida ao povo no desterro da Babilónia: “Escutai-me, vós, os que seguis a justiça, os que procurais Yahvé. Considerai a rocha de que fostes talhados e a pedreira de onde fostes tirados. Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara, que vos deu à luz. Ele era um só, quando o chamei, mas abençoei-o e multipliquei-o” (Is 51, 1-2). Aplicada a Pedro esta qualidade de pedra-fundamento, indica um novo começo do povo de Deus.
As chaves do Reino: Pedro recebe as chaves do Reino para atar e desatar, ou seja, para reconciliar  as pessoas com Deus. O mesmo poder de atar e desatar foi dado às comunidades (Mt 18, 8) e aos discípulos (Jo 20, 23). Um dos pontos em que o Evangelho de Mateus mais insiste é o da reconciliação e do perdão (Mt 5, 7.23-24.38-42.44-48; 18, 15-35). Nos anos 80 e 90 na Síria existiam muitas tensões nas comunidades e divisões nas famílias por causa da fé em Jesus. Alguns aceitavam-no como Messias e outros não. Isto era fonte de muitos conflitos e desavenças. Mateus insiste sobre a reconciliação. A reconciliação era e continua a ser um dos mais importantes deveres dos coordenadores das comunidades. Imitando Pedro, devem atar e desatar, isto é, trabalhar para que haja reconciliação, aceitação mútua, construção da verdadeira fraternidade.
A Igreja: A palavra Igreja, em grego eklesia, aparece 105 vezes no Novo Testamento, quase exclusivamente nos Atos dos Apóstolos e nas Cartas. Somente três vezes nos Evangelhos, e só em Mateus. A palavra significa “assembleia convocada” ou “assembleia escolhida”. Esta indica o povo que se reúne convocado pela Palavra de Deus e procura viver a mensagem do Reino que Jesus trouxe. A Igreja ou a comunidade não é esse Reino mas um instrumento e um sinal do Reino. O Reino é maior. Na Igreja, na comunidade, deve ou deveria aparecer aos olhos de todos o que acontece quando um grupo humano deixa Deus reinar e tomar posse da sua vida.
Mateus 16, 21-22: Jesus completa o que falta na resposta de Pedro e este reage e não aceita. Pedro confessara: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”. Conforme a ideologia dominante do tempo, Pedro imaginava um Messias glorioso. Jesus corrige-o: ”É necessário que o Messias sofra e seja morto em Jerusalém”. Dizendo “é necessário”, Jesus indica que o sofrimento já estava previsto nas profecias (Is 53, 2-8). Se os discípulos aceitam Jesus como Messias e Filho de Deus, devem aceitá-lo também como Messias servo que vai morrer. Não só o triunfo da glória, mas também o caminho da cruz! Mas Pedro não aceita a correção de Jesus e procura dissuadi-lo.
Mateus 16, 23: A resposta de Jesus a Pedro: pedra de escândalo. A resposta de Jesus é surpreendente: “Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!”. Satanás é o que nos afasta do caminho que Deus nos traçou. Literalmente Jesus diz: “Coloca-te atrás de mim!”. Pedro queria tomar o comando e indicar a direção do caminho. Jesus diz: “Atrás de mim!”. Quem assinala a direção e o ritmo não é Pedro mas é Jesus. O discípulo deve seguir o mestre. Deve viver em conversão permanente. A palavra de Jesus era também uma mensagem para todos os que conduziam as comunidades. Eles devem “seguir” Jesus e não podem colocar-se à frente como Pedro queria fazer. Não são eles que podem indicar a direção ou o estilo. Pelo contrário, como Pedro, em vez de pedra de apoio, podem converter-se em pedra de escândalo. Assim eram alguns chefes das comunidades nos tempos de Mateus. Havia ambiguidade. O mesmo pode acontecer hoje conosco!
Um retrato de São Pedro
Pedro de pescador de peixes transformou-se em pescador de homens (Mc 1, 7). Era casado (Mc 1, 30). Homem bom, muito humano. Estava naturalmente chamado a ser o chefe entre os Doze primeiros discípulos de Jesus. Jesus respeitou essa tendência natural e fez de Pedro o animador da sua primeira comunidade (Jo 21, 17). Antes de entrar na comunidade de Jesus, Pedro chamava-se Simão bar Jonas (Mt 16, 17), Simão filho de Jonas. Jesus deu-lhe o sobrenome de Cefas ou Pedra, que logo se converteu em Pedro (Lc 6, 14).
Por natureza Pedro podia ser tudo menos uma pedra. Era valente no falar mas na hora do perigo deixava-se levar pelo medo e fugia. Por exemplo, naquela vez em que Jesus caminhou sobre as águas, Pedro pediu-lhe: “Jesus, posso também eu caminhar sobre as águas?”. Jesus respondeu: “Vem, Pedro!”. Pedro desce da barca e põe-se a caminhar sobre as águas. Mas quando chega uma onda maior do que o costume, assusta-se, começa a afundar-se e exclama: “Salva-me, Senhor!”. Jesus tomou-o pela mão e salvou-o (Mt 14, 28-31). Na última ceia Pedro diz a Jesus: “Jamais te negarei, Senhor” (Mc 14, 31), mas poucas horas depois, no palácio do sumo sacerdote, diante de uma criada, quando Jesus já tinha sido preso, Pedro negou com juramento ter algo a ver com Jesus (Mc 16, 66-72). No Jardim das Oliveiras, quando Jesus foi preso, Pedro desembainha a espada (Jo 18, 10), mas de imediato foge, deixando Jesus sozinho (Mc 14, 50). Por natureza Pedro não era uma pedra!
Contudo, este Pedro tão débil e tão humano, tão igual a nós, converteu-se em Pedra, porque Jesus rezou por ele dizendo: “Pedro, eu rezei por ti, para que não desfaleça a tua fé. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos!” (Lc 22, 31-32). Por isso Jesus podia dizer: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja!” (Mt 16, 18). Jesus ajudou-o a ser pedra. Depois da ressurreição, na Galileia, Jesus apareceu a Pedro e perguntou-lhe duas vezes: “Pedro, tu amas-me?”. Pedro respondeu: “Senhor, tu sabes que te amo” (Jo 21, 15-16). Quando Jesus lhe fez a mesma pergunta pela terceira vez, Pedro entristeceu-se. Devia ter recordado que negara Jesus três vezes. Pedro respondeu: “Senhor, tu sabes tudo. Tu sabes que te amo”. E foi naquele momento que Jesus lhe confiou o cuidado das ovelhas, dizendo: “Pedro, apascenta as minhas ovelhas!”. Com a ajuda de Jesus a firmeza da pedra crescia em Pedro e revelou-se no dia de Pentecostes.
No dia de Pentecostes, depois da vinda do Espírito Santo, Pedro abriu a porta da sala onde estavam todos reunidos, com as portas fechadas por medo dos judeus (Jo 20, 19) e cheio de coragem começou a anunciar ao povo a Boa Nova de Jesus (At 2, 14-40). E nunca mais parou. Por causa deste anúncio corajoso da ressurreição foi preso (Act 4, 3). No interrogatório foi proibido de anunciar a Boa Nova (At 4, 18), mas Pedro não obedeceu. Disse: “Nós pensamos que devemos obedecer antes a Deus do que aos homens!” (At 4, 19; 5, 29).
Conta a tradição que no fim da vida, quando Pedro estava em Roma, teve um momento de medo. Mas, em seguida, voltou, foi preso e condenado à morte de cruz. Pediu que o crucificassem de cabeça para baixo. Não se julgava digno de morrer do mesmo modo que o seu Mestre Jesus. Pedro foi fiel a si mesmo até ao fim!


 Colaboração Ir. Nilza do Carmo